POESIA: SOBRE HOMENS&PÁSSAROS
À noite
(repentinamente)
um grito
(aniquilamento)
esvai-se
(peremptoriamente)
nos braços
do incansável vento.
(Poema - Autoria de TõeRoberto)
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
O BANHEIRO
CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS
- Ouça:
- Ouça:
- Esta semana fui ao banheiro do Shopping tirar "água do joelho" quando deparei (ouvi) a cena. O telefone de um sujeito que estava no box do banheiro tocou.
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- Assunto:
- "Juvenal!... quem tá falando? Ednalva? Oxente! Tu já chegaste? Hoje? E o Ednaldo operou aquele troço no saco? Como chama? Eu hem? Por que ele fez isso, Ednalva. O home é doido! Mãe perguntou por tu, ontem. E aí? Que tu vai fazer hoje á noite, mulhé! Deixa disso! (barulho de gases e baque na água). Tô cum saudade de tu! Vai me dizer que tu num gosta daquele meu chameguinho no cangote. Fale bobagem mulhé!, tu me ama e num sabe! Tu vai sair com quem? Com o corno do Severino? Mas mulhé!, Severino é frango, todo mundo sabe! (todo mundo curioso no banheiro). Eu... com ciúmes, deixa de ser besta, mulhé! Ô Ednaldinha, vamos lá!, tô com saudade! Vamos no bar do Ceará tomar umas e esquentá as coxas e depois... (barulho de gases e baque na água). Tu tá fazendo cu doce mulhé. Tu num é disso! Oxente!, tu tá me deixando arretado! O quê??? Vê como fala comigo, mulhé! Sua quenga! Piniqueira safada! Fia de uma rapariga! Do que tu me chamou, Ednalva? Corno? Corno é o baitola do teu pai! (O banheiro cheio de gente, ouvindo). Sabe de uma coisa Ednalva, sua cadela! Eu tô cagando um monte pra tu. Cagando, ouviu? Tô cagando pra tu! Tá escutando? (Um grande som de gases e um baque bem grande na água)."
- Silêncio. Barulho de papel, descarga, fivela da calça.
- Sujeito: resmungando - "Piranha! Ela vai ver quem é corno! Vaca! Severino!..."
- Barulho do trinco da porta. Um monte de gente tentando sair de uma só vez do banheiro.
- O sujeito saiu do box, não lavou as mãos, olhou os dentes, penteou os cabelos e ainda resmungou:
- "Corno!... Severino!... Quenga!..."
- Mas gostei de ver: que ele cagou um monte pra Ednalva, ele cagou. Uma rara qualidade nos homens de hoje!
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- Invenção minha? Te juro que não é!!!
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
A CONSEQÜÊNCIA
POESIA: SOBRE HOMENS&PÁSSAROS
Decepado o pescoço
da alma
o corpo funciona
feito máquina
que tem
uma peça quebrada.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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Decepado o pescoço
da alma
o corpo funciona
feito máquina
que tem
uma peça quebrada.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
O MÉDICO
CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS
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- Sabe cumé! Segunda idade e 1/2, fui ao médico ontem.
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- Na sala, deitado:
- "Aposentado?" "Faz o quê?" "Fuma?" "Bebe?" "Exercício Físico?" "Não trabalha com nada"?
- Fiquei olhando aquele sujeito me escutando por dentro, colocando aquele troço no meu braço... e se dizendo preocupado com minha vida.
- Pensei: este sujeito é doido. Se eu sou aposentado por que ele tá perguntando o que eu faço. Não faço nada! Sou aposentado, cacete! Ele tá querendo o quê? Que eu arrume um emprego?
- Dito e feito!
- O sujeito me disse na bucha: "o senhor precisa arrumar uma atividade."
- Questionei: defina atividade.
- Uma coisa para o senhor ocupar o seu tempo. Para não ficar ocioso durante o dia.
- Pensei de novo: o sujeito é doido mesmo!"
- Perguntei ao infeliz: o senhor conhece o Made In Brazil?
- "Made In Brazil?"
- Sim, Made In Brazil! O senhor não tem idéia do tamanho da boca do danado. Eu trabalho dia e noite para alimentá-lo. Ele come mais que os meus 05 filhos juntos.
- E o senhor ainda acha que eu não faço nada?
- O sujeito virou-se para o computador: "qual o endereço?"
- Madeinbrazil...
- Abriu, rolou pra cá, rolou pra lá, olhou para mim e... "o senhor precisa parar de trabalhar. Precisa tirar umas férias, com urgência."
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- E tem gente que acha que não faço nada!
- Uma mãozinha na consciência vai bem!
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
A CAMINHADA
POESIA: SOBRE HOMENS&PÁSSAROS
Aqui estou, final de sonho
olhando nos olhos de quem não fui.
Fosse mais moço, forte cavalo
soltava a alma e galopava
pro fundo azul do insondável espaço.
Mas não quero nada, nada de nada!
Senão mirar-me no embaçado espelho
da minha própria face
senão cortar-me na afiada faca
da minha mágoa.
Aqui estou, aqui me vou
feito um danado
arrastando o fardo
da minha herança.
(Fonte: Poesia - Autoria de TõeRoberto)
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Aqui estou, final de sonho
olhando nos olhos de quem não fui.
Fosse mais moço, forte cavalo
soltava a alma e galopava
pro fundo azul do insondável espaço.
Mas não quero nada, nada de nada!
Senão mirar-me no embaçado espelho
da minha própria face
senão cortar-me na afiada faca
da minha mágoa.
Aqui estou, aqui me vou
feito um danado
arrastando o fardo
da minha herança.
(Fonte: Poesia - Autoria de TõeRoberto)
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domingo, 2 de dezembro de 2007
A SURDA
CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS
- A história é de Minas.
- A história é de Minas.
- Acho que por mais insignificante que seja o ser humano, alguma coisa dele fica no espaço ou... na memória de alguém.
- Ficou na minha ou não estaria escrevendo sobre isso.
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- Madalena:
- Madalena - só Madalena - era o nome da personagem.
- Surda, falava pouquíssimo, além de não falar coisa com coisa.
- O eterno pano na cabeça, a cabeça sempre baixa.
- Em menino, e adulto também, convivi muito com ela e sei pouquíssimo de sua vida. Era daquelas pessoas que passam pela vida despercebidas. Estão ali, mas é como se não estivessem. Teimam em não existir para o mundo.
- Nunca soube como seus patrões a conseguiram. Morava num quartinho no fundo da casa... despercebida.
- Como louca era vista na cidade.
- Andava pelas ruas resmungando. As crianças tinham medo de Madalena.
- A personagem é profunda e eu sou muito raso, muito superficial para traçar um perfil mais adequado, mais justo para Madalena.
- Só sei que ela ficou na minha memória apenas por uma frase que repetia a cada vez que passava por alguém, inclusive por mim, e que eu vivo repetindo pela vida afora:
- "Cê num sabe o qui ti espera nu fim da vida!"
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- Madalena se foi. Ficou eterna comigo.
- Agora vocês também já sabem:
- "Cê num sabe o qui ti espera nu fim da vida!"
- Assustador, não???
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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sábado, 1 de dezembro de 2007
O VÔO
POESIA: SOBRE HOMENS&PÁSSAROS
Muita asa
pouco espaço
muita meta
pouco arco
muito alto
pouca raça
muito vôo
pouca graça
muito sonho
pouca sala
muito homem
pouco pássaro.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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Muita asa
pouco espaço
muita meta
pouco arco
muito alto
pouca raça
muito vôo
pouca graça
muito sonho
pouca sala
muito homem
pouco pássaro.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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