sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A BROXADA

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Não há nada pior, para um homem, que uma broxada.

- Foi o que aconteceu com Geraldão.

- Zoneiro velho, solteirão convicto, famoso pela sua performance sexual - estava ali, agora, ao lado de Mirilinha, a puta mais gostosa da zona - o pau desmoralizado.

- O que pra ele foi sempre fácil - subir o pau - tornara-se um pesadelo.

- Mirilinha fez de tudo:

- Mão, boca, peitos, bunda, pés.

- Nada fez aquele gigante adormecido acordar.

- Passou a língua por ali, por aqui, por acolá, fez cócegas nas bolas, mexeu, mexeu, jogou pra lá, pra cá, beijou de novo, de novo... nada!

- O Golias cabeça baixa estava, cabeça baixa ficou.

- "Isto acontece!" "É assim mesmo!" "Não foi tão mal assim!" "Você é foda!" "Você é gostoso!" "Amanhã você volta!"

- Nada! Nada que Mirilinha fizesse, ou falasse, adiantava.

- O estrago estava feito.

- Geraldão tinha broxado.

- E era um segredo para o resto da sua vida.

- Homem é assim: a conta tá no vermelho, foi protestado, o Corinthians perdeu, o banco tomou a casa, a mulher foi embora com o leiteiro - tudo bem!

- Isto a gente se vira!

- Mas broxar???

- Broxar é o supremo fracasso da raça masculina.

- Os homens se apegam na rigidez do seu membro e o empunham como um troféu a ser conquistado.

- A flacidez incontrolada do membro o coloca numa posição inferior em relação aos outros da sua espécie.

- E isto o deprime, o magoa... e envergonha.

- Isto se não se tornar público!

- Se tornar público aí é motivo de suicídio.

- Geraldão subiu no cavalo, cabisbaixo, e saiu do puteiro.

- No caminho, vergonha e desespero aplaudiam a sua vontade de se matar.

- A viagem até a sua casa foi sofrida e sofrida... e sofrida.

- Em casa, pelado, se preparava para dormir, quando... do nada, o pau acordou.

- Olhou para o membro - matuto que era - e pensou: fio-da-puta!, cachorro!, sem-vergonha!

- Mas fazer o quê?

- No outro dia, subiu no cavalo, dirigiu-se ao puteiro, pegou Mirilinha, levou-a ao cartório e casou-se com ela sem testemunhas.

- Era a única maneira de manter a sua broxada em segredo.

- Dali pra frente acostumou-se a broxar.

- Mas aí é outra história: é assunto caseiro e com a mulher da gente a gente pode broxar em paz... e em segredo.

- E você, quantas broxadas este mês?

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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