CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA
- Não há nada pior, para um homem, que uma broxada.
- Não há nada pior, para um homem, que uma broxada.
- Foi o que aconteceu com Geraldão.
- Zoneiro velho, solteirão convicto, famoso pela sua performance sexual - estava ali, agora, ao lado de Mirilinha, a puta mais gostosa da zona - o pau desmoralizado.
- O que pra ele foi sempre fácil - subir o pau - tornara-se um pesadelo.
- Mirilinha fez de tudo:
- Mão, boca, peitos, bunda, pés.
- Nada fez aquele gigante adormecido acordar.
- Passou a língua por ali, por aqui, por acolá, fez cócegas nas bolas, mexeu, mexeu, jogou pra lá, pra cá, beijou de novo, de novo... nada!
- O Golias cabeça baixa estava, cabeça baixa ficou.
- "Isto acontece!" "É assim mesmo!" "Não foi tão mal assim!" "Você é foda!" "Você é gostoso!" "Amanhã você volta!"
- Nada! Nada que Mirilinha fizesse, ou falasse, adiantava.
- O estrago estava feito.
- Geraldão tinha broxado.
- E era um segredo para o resto da sua vida.
- Homem é assim: a conta tá no vermelho, foi protestado, o Corinthians perdeu, o banco tomou a casa, a mulher foi embora com o leiteiro - tudo bem!
- Isto a gente se vira!
- Mas broxar???
- Broxar é o supremo fracasso da raça masculina.
- Os homens se apegam na rigidez do seu membro e o empunham como um troféu a ser conquistado.
- A flacidez incontrolada do membro o coloca numa posição inferior em relação aos outros da sua espécie.
- E isto o deprime, o magoa... e envergonha.
- Isto se não se tornar público!
- Se tornar público aí é motivo de suicídio.
- Geraldão subiu no cavalo, cabisbaixo, e saiu do puteiro.
- No caminho, vergonha e desespero aplaudiam a sua vontade de se matar.
- A viagem até a sua casa foi sofrida e sofrida... e sofrida.
- Em casa, pelado, se preparava para dormir, quando... do nada, o pau acordou.
- Olhou para o membro - matuto que era - e pensou: fio-da-puta!, cachorro!, sem-vergonha!
- Mas fazer o quê?
- No outro dia, subiu no cavalo, dirigiu-se ao puteiro, pegou Mirilinha, levou-a ao cartório e casou-se com ela sem testemunhas.
- Era a única maneira de manter a sua broxada em segredo.
- Dali pra frente acostumou-se a broxar.
- Mas aí é outra história: é assunto caseiro e com a mulher da gente a gente pode broxar em paz... e em segredo.
- E você, quantas broxadas este mês?
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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