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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O FIM DO MUNDO

- O Anjo Gabriel me fez uma visita.

- É!, Gabriel - aquele mesmo do início dos tempos.

- E me disse com sua voz do trovão:

- TõeRoberto, você que é o queridinho de Deus precisa saber: o mundo vai acabar!

- Porra, Biel, que merda!

- Como você tá sabendo?

- Sabendo o quê?

- Que o mundo vai acabar em merda!

- Caralho, Biel, o mundo vai acabar em merda?

- Vai e vai começar pelo Brasil!

- Biel!!!...

- Vai começar pelo Brasil porque aqui tem muita merda!

- Mas!!!...

- Nada de mas!

- Mas Biel!!!...

- Vamos começar pelas merdas do PT.

- Depois as merdas do Lula.

- As do Renan.

- As merdas escondidas do PSDB.

- As do FHC.

- As merdas do Galvão.

- As merdas do BBB.

- As merdas do congresso.

- As merdas dos grileiros de terras.

- As merdas dos portugueses que chegaram de novo aqui.

- As merdas de todos os brasileiros que vivem na merda e vivem fazendo merda.

- As merdas... etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc etc!

- Mas, Biel, é ruim morrer na merda!

- Mas você já vive na merda! - só pra reforçar o que eu disse antes.

- Não tem jeito?

- Não, não tem jeito! O Home quer assim! É muita merda e Ele, que está com contensão de despesas, achou por bem utilizar a merda - que é de graça e em grande quantidade no planetinha azul.

- O que eu faço Biel?

- Nada!

- Nada?

- Nada!, relaxa e goza e não respire muito fundo... intensamente! Tchau!

- Tchau, Biel!

- Não se iluda!

- A merda vai dar pra todo mundo... e ainda vai sobrar!
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TõeRoberto-05:06-post in jampa/pb

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A DISCRIMINAÇÃO DO ADVOGADO, SR. IVES GANDRA

- O Advogado Sr.Ives Gandra da Silva Martins, professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Estado de São Paulo em artigo de sua autoria, divulgado pela internet, se sente discriminado com diversas questões legais relacionadas às minorias, no Brasil.

- Em um dos tópicos do seu artigo ele diz: "Hoje, tenho eu a impressão de que o 'cidadão comum e branco' é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos".

- Não sou doutor, nem tampouco um intelectual do nível do Sr. Gandra, mas gostaria de fazer, ao distinto, umas perguntas relacionadas ao tópico em que ele diz:

- "Os índios, que pela Constituição (art. 231) só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros - não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também - passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 183 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não índios foram discriminados".

- Pergunto ao Senhor, Sr. Ives Gandra:

- O senhor não está sendo "legalmente correto" e historicamente equivocado com as suas estatísticas relacionadas aos índios?

- O senhor não acha que eles estão sendo lesados em 85% das terras a eles pertencentes?

- Quem deu ao senhor e aos seus descendentes e ascendentes brancos o direito de se apoderar e se tornar proprietários de terras em território brasileiro?

- Como isto foi possível?

- Como foram criadas e legalizadas as propriedades dos brancos, Sr. Gandra?

- Quem criou as leis que "legalizaram" e deram as propriedades aos brancos, Sr.Gandra?

- Falcatruas, negócios escusos, trapaças, violência, esperteza e a participação de advogados, legisladores, governantes brancos que "legalizaram" a posse da terra - que não era deles - era dos índios - através de leis criadas em proveito próprio - deles - os colonizadores brancos.

- E estas leis, Sr. Gandra, foram colocadas em prática na ponta do fuzil, da chibata... do extermínio.

- Por que será, Sr. Gandra, que os índios brasileiros são agora menos de meio milhão?

- Será que os brancos tiveram alguma coisa a ver com a escravidão e a diminuição da população indígena?

- O senhor não acha que eles é que estão sendo discriminados, Sr. Gandra?

- Sua família é de onde mesmo, Sr. Gandra?

- A sua família é genuinamente brasileira?

- Se o senhor fosse genuinamente brasileiro, Sr. Gandra, o senhor seria descendente de índio e talvez não pensasse desta maneira, talvez - ao invés de se sentir discriminado - o senhor se sentisse lesado nos seus direitos "constitucionais".

- Senti também, Sr. Gandra, no tópico referente aos Quilombolas, um certo ar da arrogância tipicamente branca.

- O senhor diz: "Aos 'quilombolas', que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito".

- O senhor acha, Sr. Gandra, que os brancos - no Brasil - têm condições de pagar suas dívidas para com os negros?

- Será que todas as terras do Brasil seriam suficientes?

- O Senhor é negro, Sr.Gandra?

- Se fosse, com certeza, teria algum descendente que foi escravizado pelos brancos e não teria esta sua visão meramente "constitucional" do assunto.

- Nem tudo que está na constituição é ético e correto, Sr. Gandra!

- Não se esqueça que não foi Deus quem a escreveu, mas os senhores advogados, juízes, legisladores, governantes e aventureiros manipuladores de leis.

- O senhor acha mesmo que qualquer coisa que o governo faça pelos negros vai pagar a hedionda dívida moral que nós, os brancos, temos para com eles?

- O senhor gostaria de ter sido escravizado, Sr. Gandra?

- Se alguém da sua família tivesse sido escravizado, o senhor - hoje - como advogado competentíssimo que é, não moveria uma polpuda ação - danos morais, cárcere privado, tortura, desrespeito dos direitos fundamentais dos seres humanos - contra a União para "reparar este erro histórico", que é como costumam se referir à escravidão?

- E o senhor também não passaria a fazer parte - personagem mesmo - do seu próprio artigo?

- Não vou entrar no mérito das outras questões relacionadas aos homossexuais, às quotas das universidades públicas, aos invasores de terra - ladrão que rouba ladrão não tem cem anos de perdão? - às indenizações pagas às famílias das pessoas que lutaram contra o regime militar - o senhor lutou contra o regime militar, Sr. Gandra?

- O Senhor termina o seu artigo dizendo: "Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios".

- Eu não concordo que o senhor seja apenas um modesto advogado e apenas um cidadão comum e branco, e não acho, Sr. Gandra, em hipótese alguma, que o senhor seja um cidadão sem espaço ou discriminado, até porque o senhor é um grande estudioso/aplicador de leis... e um grande formador de opinião. E acho, também, sem o conhecer como pessoa, que o senhor faz parte do "nesta terra de castas e privilégios".

- Enfim, Sr. Gandra, moramos no Brasil - eu e o senhor - e sabemos como é a questão legal quando se trata de defender os interesses dos ricos e dos poderosos e isto, Sr. Gandra, com certeza, o senhor sabe bem mais do que eu.

- E para encerrar, Sr. Gandra, quero dizer ao senhor que o cidadão comum - aquele que não é minoria, como o senhor mesmo diz - se sente discriminado mesmo é com a discrepância de direitos entre ele - cidadão comum - e os senhores juízes, desembargadores, procuradores, deputados, senadores, ministros e governantes, no que se refere às vantagens pessoais, mordomias, excepcionalidades, poder e aos salários astronômicos que, por si só, são discriminatórios e ferem a moral, o bom senso e a ética de uma sociedade.

- Afinal, Sr. Gandra, discriminação e imoralidade pra cima do cidadão comum - aquele que não é minoria - também é o senhor ver as suas idéias serem divulgadas pelo internet - sei que o senhor não precisa disto - é ver um simples blogueiro de nome TõeRoberto escrever um artigo sobre as suas idéias, sem que ele - o cidadão comum - tenha a menor idéia do que se passa ao seu redor. Ele, Sr. Gandra, é um simples excluído e o governo também injeta dinheiro para que se aumente a inclusão digital no país.

- O senhor, Sr. Gandra, também vai incluí-lo naquele grupo de minorias - aqui no caso maiorias - e vai se sentir discriminado com as verbas do governo destinadas a eles?

- Acho, Sr. Gandra, que discriminação, para o seu caso, é uma palavra muito forte.

- Tenha um bom-dia e um ótimo final de semana, Sr. Gandra!
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

ÁGUA

- "Água potável". "Água encanada". "Água doce". "Água natural". "Águas passadas". "Tomar água". "Até debaixo d'água". "Claro como água". "Com água na boca". "Água benta". "Água-benta". "Água de rosas". "Cumê água". "Cumê água mole". "Cumê água dura". "Se você pensa que cachaça é água". "As águas vão rolar". "A água dos seus olhos". "Feijão das águas". "Tempo das águas". "Águas de março". "Bebe que nem água". "Aguardente". "Água mole em pedra dura...". "Água salgada". "Água mineral". "Água da fonte". "Água do rio". "Água do mar". "Água da chuva". "Estância das águas". "Estação das águas". "Água-com-açúcar". "Água-de-cana". "Água-de-cheiro". "Água-de-coco". "Água-de-flor". "Água-mel". "Água-mãe". "Água!... Água!... Água!...”.

- Água!
- Estamos todo o tempo atrás dela... falando dela!

- No nosso dia-a-dia é água que não acaba mais!

- Estamos acostumados com a fartura... com o uso indiscriminado dela... com "o no Brasil é o que mais tem".

- Perigoso e futuro crime!

- Absurdos são cometidos em nome da fartura: nas zonas urbanas lavamos calçadas, carros, enchemos piscinas, aguamos jardins com água tratada, com esse bem extremamente precioso para enorme fatia da humanidade.

- E ainda de quebra envenenamos todos os mananciais localizados nas cidades.

- Na zona rural secam os rios e envenenam as fontes... e parece que ninguém tá nem aí pra crime tão inafiançável.

- Estamos construindo o caos das gerações futuras.

- Estamos construindo o palco para as guerras futuras... o sofrimento sem fim da raça humana.

- É só um lembrete: como a maioria das pessoas sou apenas um ecologista de botequim e só me lembro da água, de verdade, quando amanheço de ressaca e corro desesperadamente atrás dela.

- Já que você aprendeu a usar a água de maneira farta e irresponsável, faça um favor pras gerações futuras: comece a educar os seus filhos dando a eles informações e orientações quando ao uso do bem, nem sempre renovável, que sustenta todas as coisas vivas.

- Enxergue além da sua casa e entenda: tá começando a acabar e se ela acabar...

- Até a água que você tanto gosta, aquela que passarinho não bebe é feita com água.

- Uma boa reflexão!...
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TõeRoberto-03:22-post in jampa/pb

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

NO PAÍS DOS CORNOS

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Vivem me enchendo o saco!

- Porra, antes você escrevia sobre política, ecologia, o escambau, etc, etc, etc!

- Agora, não, agora você ficou 1/2 que intimista, 1/2 que enchendo o saco com este negócio de "in"!

- É, realmente, parei!

- Cacete!, cê pensa que é fácil acompanhar as mesmices do Brasil?

- Leia os grandes articulistas.

- Parece que rodam, rodam e não saem do lugar.

- Criam novidades sobre velhos temas.

- Eu não quero lidar com velhos temas.

- Estes sustentam a mídia, a política, a crônica esportiva e outros mais: eu gosto de cabaços.

- Aquela informação que sangra, faz gemer e amanhece nas ruas mais moça do que quando dormiu.

- A notícia que ainda não aconteceu.

- O futuro sobre o futuro.

- O tesão de ninguém ter pensado ou feito aquilo.

- A premonição jornalística, o prever a cor do céu no dia de amanhã.

- Sou só um sujeito avesso às normalidades brasileiras.

- Um sujeito enfastiado com os velhos formadores de opinião.

- Um brasileiro sensível - eles ainda existem!

- Um brasileiro que sente na alma a invencionice metafórica do país do futuro, sabedor que é que este é só um país de cornos.

- E por isto, intimista que é, vive a gerenciar a coceirinha do seu lóbulo frontal.

- E não escreve mais sobre um país repetitivo - e de cornos!

- Cornos, na acepção da palavra.

- Por isto me perdoem, estou, no momento, fazendo mea-culpa.

- Preciso mergulhar no meu fundo para poder entender a superficialidade deste país de cornos... e, se possível, deixar de ser corno!

- Existe ex-corno?
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A MURIÇOCA

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Já dormiu com um pernilongo, mosquito-prego, carapanã, carpanã-pinima, fincão, fincudo, sovela, perereca, bicuda, meruí, meruim, maringuim, marigüi, miruim, maruím, mosquito-do-mangue, mosquito-palha, mosquito-pólvora, catuqui, bembé... muriçoca?

- No quarto?
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- No escuro - numa noite extremamente quente?

- Aquele zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz no ouvido.

- Aquela roçada de pele - sugada de sangue rápida.

- Tapa! Tapa! Tapa!

- Coceira! Coceira! Coceira!

- Levanta.

- Acende a luz.

- Coça! Coça! Coça!

- Apaga a luz.

- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

- Picada rápida.

- Tapa! Tapa! Tapa!

- Coceira! Coceira! Coceira!

- Levanta!

- Acende a luz.

- Coça! Coça! Coça!

- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

- Picada rápida.

- Tapa! Tapa! Tapa!

- Coceira! Coceira! Coceira!

- Levanta.

- Acende a luz.

- Vai pra puta que o pariu!

- Abre uma cerveja.

- Liga a televisão.

- Se ajeita no sofá.

- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

- Picada rápida.

- Tapa! Tapa! Tapa!

- Coceira! Coceira! Coceira!

- A segunda-feira vai ser foda!

- As pernas e os braços cheios de picadas coçantes.

- Serviço pra caralho.

- Sono!

- A muriçoca não tá nem aí.

- zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

- E a muriçoca tá tomando conta do Brasil.

- E o governo:

- Coça! Coça! Coça!

- O saco!!!

- E não tá nem aí!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

LE CIRQUE DU BRÉSIL

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- O assunto sempre parece que esfriou, tá enterrado.

- Mas não... está sempre lá, vivo e atual!

- Por isto quero falar... e falar pouco!

- Le Cirque du Brésil, montado em Brasília, é algo espantoso.

- Durante meses montam um grande espetáculo e com a conivência da mídia atraem o público.

- São espertos!

- A publicidade é farta.

- E já sabem o fechamento do espetáculo no final.

- São dissimulados - tipo não é comigo - e fazem o seu papel, cumprem o roteiro da velha e conhecida demagogia dos políticos brasileiros.

- O caso Renan Calheiros é um exemplo vivo da canalhice nacional.

- Não sou polícia, nem juiz, nem vivo no meio daquele povo de Brasília, e não tenho a menor idéia se tudo que falaram contra e a favor era verdade ou mentira.

- No Brasil estas coisas costumam ser verdadeiras... ou costumam ser falsas!

- Ou melhor: uma parte é sempre verdadeira, a outra sempre falsa.

- E este negócio de voto secreto em Brasília é coisa que só interessa aos acordos escusos.

- O voto secreto é quem sustenta a impunidade.

- Só sei que gastam os tubos do dinheiro do contribuinte e no final fazem o que já sabiam que iam fazer.

- A mídia faz o seu trabalho... às vezes duvidoso.

- E a população aplaude ou se escandaliza.

- Quase sempre se escandaliza.

- Em Brasília estar dentro da lei ou na contravenção não faz a menor diferença.

- A única coisa que importa são os acordos políticos feitos, às vezes para punir quem está dentro da lei, ou para livrar quem está na contravenção.

- Depende de quem o sujeito apóia.

- E para quem, no momento, o Lula bate palmas.

- Ô Brasil desajuizado!

- Ô resquício de ditadura interminável!

- Ô Lula!!!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O POLÍTICO

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Político é um animal interessante.

- Vez em quando aparece um na tv.

- Fica no cantinho da tela, abre o verbo - fala, fala, fala e vai embora.

- Depois vem outro.

- Depois outro.

- E outro.

- A gente não dá bola pra eles.

- Eles não se importam.

- Aparecem de novo.

- São meses e meses de idas e vindas: brancos, morenos, negros, amarelos, mulatos - todos os tipos de rostos.

- São animais realmente estranhos... muito estranhos.

- Mas têm uma coisa em comum: falam a mesma língua.

- Uma língua antiga, quase fora de uso.

- Mas é a única que sabem.

- É a única com a qual se comunicam.

- A gente não ouve, não presta atenção.

- Mas eles não estão nem aí.

- Eles sabem que eles falam e as palavras ficam - mesmo que chatas, frias... as palavras estão no ar.

- E falam, falam, falam!...

- Todos os dias, numa paciência respeitável.

- E parece que não estamos nem aí.

- Desligamos a tv, mas parece que eles ficam lá dentro à espreita da nossa presença sem atenção.
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- Ligamos novamente a tv e, de novo, o animal estranho está na tela.

- Dali a pouco chega outro.

- E outro...

- E outro...

- E a fauna da política nacional desfila sua velha hipocrisia na inocência virtual do cantinho direito da minha tv LG.

- E eu não estou nem aí!

- Nem eles!!!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A PROPOSTA

CRÕNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- O tempo já passou, o assunto está 1/2 que fora de moda, mas vou falar.

- É que outro dia ao subir em um avião me lembrei dos últimos acidentes aéreos, no Brasil.

- Me lembrei que - alguém - acho que uma autoridade, disse algo assim: “daqui até o próximo acidente é só uma questão de tempo."

- Eu, hem!

- Tinha jurado que não subia mais em avião - principalmente da TAM - mas não tem jeito.

- O próximo acidente, com certeza, vai ser com a TAM.

- Eu não entendo nada disso, mas a Varig não foi sucateada pra favorecer a TAM?

- Fuderam com a Varig e a TAM não tá nem aí pra gente.

- Não foi de um avião da TAM que caiu um passageiro?

- Eu nunca tinha ouvido falar numa coisa dessas até então.

- Como o próximo acidente é só uma questão de tempo, vou mandar uma proposta para o governo.

- Acho que o governo deve fazer umas alterações nos aeroportos, tipo:

- Obrigar as empresas aéreas, principalmente a TAM, a manter um confessionário no portão de embarque.

- Morrer sem confessar os pecados é uma merda.

- Na sala de espera do embarque devem manter especialistas em escrever cartas de despedida.

- Os parentes sempre ficam mais tranqüilos quando recebem uma explicação do ente querido.

- Na porta do avião, um padre dando a extrema-unção a todos os passageiros.

- Para aliviar as nossas dores e os nossos medos.

- E, no interior da aeronave, a escolha da última refeição.

- Os condenados à morte não têm direito a isto?

- Na decolagem, uma última oração.

- Pronto!

- Podemos voar... e morrer em paz.

- Tenho certeza que o governo vai adotar a idéia.

- Afinal, ele também é responsável por toda esta merda.

- De resto, enquanto as novas regras não chegam, fique atento.

- Aviões no Brasil são um perigo real.

- Muito cuidado para não entrar nas horríveis estatísticas dos acidentes aéreos do Brasil!

- Só quem passou por isto - e foram centenas de famílias - sabe o tamanho da dor de perder alguém querido por irresponsabilidade de alguém ou de 'alguéns'.

- Ou por irresponsabilidade das empresas que não têm rosto, nem coração e só pensam no lucro rápido e fácil.

- Eu só ando a pé.

- Eu não tenho asas.

- E morro de medo de aviões que não caem - imagine dos que vivem caindo.

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

OS AMIGOS

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Outro dia reuni em casa alguns amigos antigos - sempre presentes.

- Outros novos - começando a ficar presentes.

- Outros antigos - ausentes.

- E muitos outros - ausentes, mas presentes no meu coração.

- Conversamos, rimos, comemos, bebemos, tocamos, cantamos e passamos um dia tranqüilo.

- No outro dia, e nos dias seguintes, percebemos - todos nós - a enorme satisfação que foi ter participado daquela reunião de amigos.

- Como em apenas um dia - embora não tenhamos percebido - alguma coisa mudou em nós.

- Passamos um x sobre alguma coisa ruim de nós e tiramos um y de sobre uma coisa boa de nós.

- Estar com amigos - segundo uma pesquisa - aumenta a nossa expectativa de vida.

- Estar com amigos é se sentir importante - não no sentido pejorativo - pleno, reconhecido, amado, lembrado, acariciado no ego.

- É um estar sempre aprendendo.

- Sempre ensinando.

- É rir, sorrir, gargalhar abertamente sem neuras ou preconceitos.

- É falar palavrão, meter o pau no governo, fofocar a vida de gente chata, fazer planos para o futuro.

- Estar com os amigos é estar num momento encantado, dentro de um livro mágico, onde o ser humano é perfeito.

- E quando nós - os amigos - estamos juntos, somos realmente perfeitos.

- Eu gosto muito de fazer isto.

- Faço sempre.

- Onde quer que eu tenha vivido, sempre carrego alguns amigos a tiracolo - e eles a mim.

- E vou vivendo.

- E vou me arrepiando pela vida afora.

- E vou encorpando cada vez mais a minha capacidade de amar, de perdoar, de me apaixonar.

- Os amigos são instrumentos fantásticos para este tipo de aprendizado.

- E estão sempre presentes, mesmo estando ausentes.

- E vivos.

- E apaixonados.

- E disponíveis.

- E aí turma do Brasil afora - vocês sabem com quem estou falando.

- Quando vai ser a nossa próxima farra?

- Saudades - verdade seja dita - é o que não falta por aqui.

- Nem falta de disposição para a próxima.

- Já comprei a macaxeira e o camarão para o próximo Robobó.

- E a cerveja!

- Um abração pra todo mundo!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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