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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Amores plurais

Depois da 7ª cachaça Hilderôneo levantou-se, pagou a conta, saiu do bar, atravessou a praça - alto - a cabeça girando como uma roda-gigante, bateu na porta de Sidoneide.

Sildoneide, de camisolinha vermelha, abriu a porta e perguntou:

O que tu qué aqui, Hilderôneo?

Pedir perdão!

Perdão, Hilderôneo, por quê?

Por ter comido Gildelinda!

Tu comeu Gildelinda, Hilderôneo?

Comi, Sidoneide!

Tá perdoado, volta pra tua cachaça!

Fechou a porta na cara de Hilderôneo e correu para o quarto.

Na cama, Gildelinda às gargalhadas, perguntou por Hilderôneo.

Foi tomar mais cachaça pra sossegar o remorso.

Ô ruim!, por que não chamamos ele pra cama?

Doida?

Não, só com dó do nosso homem!

Cale a boca, minha fia, e continue chupando que de macho tô cheia!

E enfiou a cara no meio das pernas de Gildelinda.

Que gemeu baixinho!

Pensou em Hilderôneo.

E sorriu!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O mansinho

Vivenciano saiu para trabalhar - fingiu - e ficou na moita.

Tinha sido avisado umas 500 vezes:

"Nolita tá de fuzuê com Nélcio."

Demorou a ter dúvidas.

Hoje teve!

Por isto foi pra moita.

E na moita lembrava Nolita: doido por ela, mãe dos três filhos, morena, fogosa, cheirosa, aquela bunda! aqueles peitos! aquela xoxotinha que mais parecia um vulcãozinho em erupção... o paraíso!

Ficou excitado... pensou em desistir, deixar pra lá... seguir a vida.

Mas e Amâncio?

"Vivenciano, fica esperto, a Nolita!..."

Fincou pé!

Pensou: hoje vou fazer merda!

Macho pra caralho, começou a pensar no que ia fazer.

1º pensamento: entro lá, mato o Nélcio e a Nolita e me mato.

2º pensamento: mato o Nélcio, perdoo a Nolita.

3º pensamento: mato a Nolita, perdoo o Nélcio.

4º pensamento: não mato ninguém e deixo como está.

5º pensamento: me mato.

6º pensamento: preciso pensar noutra coisa.

Pensou, revirou, repensou, fuçou, gemeu, engendrou, maquinou.

No que pensava, ele viu Nélcio dobrar a esquina.

Nélcio olhou pra cá, pra lá... o relógio.

Apertou a campainha.

Nolita abriu a porta pela metade, Nélcio entrou.

Ele viu pela brecha da porta o penhoarzinho vermelho, lindo, que ele dera de presente de aniversário para Nolita.

Olhou para a porta que se fechava e teve o 7º pensamento: sem titubear, saiu da moita, entrou no boteco do Arlindo e pediu uma 51.

Enfiou garganta abaixo e pensou no 4º pensamento.

Pediu mais 2 cachaças, sentou-se à mesa do fundo do bar e ficou quietinho.

Feito menino que acabara de receber um castigo da mãe.

Ali ficou...

Levantou os olhos e viu quando Amâncio entrou no bar.

Engoliu, a seco, a 3ª dose de cachaça.

E virou o rosto para não ser reconhecido.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

TESTEMUNHO

Já vi de tudo na vida!

De tudo mesmo!

Já vi elefante com bolinhas cor-de-rosa, zebra sem listras, gato falante, papagaio mudo, ex-viado, banco sem tarifa, a Luciana Gimenez falando português corretamente, o sol nascer quadrado, nordestino comendo carne malpassada, paulista que não gosta de pizza, roda quadrada, machão quebrando a mão, o João Só acompanhado, peixe vivo fora d'água, baiano não 'tumá uma', mineiro liberal, gaúcho macho, chupa-cabra, o monstro do Lago Ness, o Pé-Grande, o Boitatá, o Saci-Pererê, o fantasma do funcionário público fantasma, filé mignon duro, turco gastando dinheiro, homem que deixa a mulher fazer o que quer, cerveja Brahma com tampa da Antarctica, a Globo fazer um bom jornalismo, a igreja abençoar a contracepção, rio que corre pra cima, gente que gosta da segunda-feira, gente que não suporta férias, leão verde, menu virtual de empresa funcionar, o Eurico Miranda largar o Vasco, o Vasco na terceira divisão... blogueiro inteligente.

Já vi homem se matar por mulher, mulher se matar por homem.

Comida fazer mal, remédio fazer mal.

Já vi nego beber de 'ficar troncho'.

'Pocá o tênis'.

'Perder a guaiaca'.

Comer vidro moído.

Amanhecer cagado.

O cu não ter dono.

Já vi nego passar mal, ter dor de cabeça, vomitar, comer o pão que o diabo amassou com o rabo... tentar o suicídio.

Vi nego entrar em coma alcoólico, ser internado, tomar soro na veia, comer canja de hospital, enfim se fuder de todas as maneiras possíveis.

Mas uma coisa eu ainda não tinha visto... nunca - em lugar nenhum - em situação nenhuma.

E nem você!

Me diga: você já viu um sujeito beber tanto, mas tanto, mas tanto a ponto de amanhecer com febre?

Pois é, aconteceu: eu presenciei!

Só vou contar o milagre pra não deixar o santo importante... cheio de direito... imbatível.

Eu juro que aconteceu!

Foi a primeira vez na minha vida que eu ouvi falar que excesso de cachaça dá febre.

Vai beber assim na casa do caralho!

E o sujeito, ainda por cima, é o maior cara de pau!

Ele vai ler isto e vai fingir que não é com ele!

Mas eu sei que é com ele!

E ele sabe que eu sei!

Tô fora!

Eu, hem!
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TõeRoberto-post in jampa/pb

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

VANDERLISE LUIZA

- Ah, Vanderlise Luiza, pára de freqüentar encruzilhadas!

- Já bebi cachaça batizada pelo não sei quem!

- Tomei café coado na calcinha!
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- Chá com pêlo de morcego!

- Por que você fica insistindo no óbvio?

- Você é minha dona... e pronto!!!
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TõeRoberto-03:15-post in jampa/pb

terça-feira, 26 de agosto de 2008

SALOÉ URÂNIA

ELA&EU

- Ah, Saloé Urânia, vou ser sincero!

- Eu bebo mesmo... e é por você!

- Você me deixa de 4, dá um nó na minha cabeça, me chama de Mané.

- Você quer que eu faça o quê?

- Escreva um livro de auto-ajuda, abra uma ong pra cuidar de borra-botas, me converta e entre pra Universal?

- Vou dizer, Saloé, deixe tudo como está!

- Afinal, enquanto eu tiver os seus pés pra lamber e uma cachacinha pra tirar o gosto, deixe a vida me levar, que eu gosto de apanhar de mulhé!

- E muito!!!
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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