Ser poeta não é navegar pela mente
à procura de ilhas e sereias,
não é sentir-se poderoso e grande
na ansiedade, no desespero
e na angústia que domina o coração.
Não é falar de amor
e se sentir amado,
não é contar belezas de um mundo novo,
não é chorar em forma de palavras,
tampouco é mostrar glórias,
tristezas, um doce cantar
ou viver do lirismo
de uma flor a desabrochar.
Ser poeta não é ouvir o mar
e dedicar-lhe versos,
não é observar crianças
e senti-las infinitas,
não é sentir no peito
a condição de sofredor,
não é sentir nos olhos
todas as formas de amor.
Não é se trancar no quarto
e fazer um verso à pessoa amada.
Não é viver da poesia
pela poesia
na nostalgia de uma saudade.
Não é observar o horizonte
e senti-lo nas mãos,
nem é passar pela vida
fabricando-lhe exaltações;
tampouco é sentir nos olhos
a grandeza do universo
e fazer com que ele caiba numa folha
ou no fundo de um verso.
Ser poeta é mais que tudo isto,
é trazer no peito a própria razão,
é o jeito de se sentir sozinho
com o próprio coração.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010
domingo, 26 de outubro de 2008
O POEMA DEPOIS DE...
POESIA: SUÃ/SUÃO - 7 ANOS DE SIM/NÃO
O poema depois de pronto me humilha
o poema me aniquila
ri de mim
até faz birra.
Sai pela sala
pela janela
pelas ruas
pelas ladeiras
contando lorotas
virando piruetas
plantando bananeiras
e nem se lembra
que junto dele
vai um pouco de mim
que já não é tão criança
não gosta de brincadeiras
e já não sabe sorrir.
(Recife/Pe-Maio1985)
.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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O poema depois de pronto me humilha
o poema me aniquila
ri de mim
até faz birra.
Sai pela sala
pela janela
pelas ruas
pelas ladeiras
contando lorotas
virando piruetas
plantando bananeiras
e nem se lembra
que junto dele
vai um pouco de mim
que já não é tão criança
não gosta de brincadeiras
e já não sabe sorrir.
(Recife/Pe-Maio1985)
.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
A VIDA
CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA
- O tempo passa.
- Inexorável, rápido... assustador!
- A renovação da raça humana é contínua.
- Nem respiramos, os filhos chegam!
- Nem piscamos, os netos estão aí!
- E vamos que ficando meio que perplexos com a velocidade dos fatos...
- A velocidade das nossas vidas.
- O tempo é curto.
- Vivemos poucas primaveras.
- Assistimos poucos amanheceres.
- Viajamos quase nada.
- Vamos ficando obsoletos no cair de cada tarde.
- E conforme o tempo dos filhos avança sobre nós, assistimos à contagem regressiva das nossas vidas.
- Falamos errado: mais um dia na minha vida!
- Sempre acho que cada minuto que passa nunca é mais, é sempre menos!
- E as crianças se misturam com os adultos, que se misturam com os velhos, que se misturam com os muito velhos e o calendário da vida vai contabilizando datas... e perdas.
- E vamos passando, um a um, deixando nossas marcas nos olhos, na boca, no sorriso, nos cabelos, na pele dos nossos filhos e netos.
- E de uma maneira ou de outra continuamos vivos nas ínfimas parcelas da hereditariedade, no infinito inteligível do universo.
- E isto nos deixa mais tranqüilos.
- E certos de que nunca morreremos totalmente.
- Que sempre daremos um sorriso com o rosto de algum "milhiotrineto" daqui a 500 anos.
- Ano que vem vou comprar um ônibus para transportar os filhos e os netos.
- Estão aumentando!!!...
- Parecemos coelhos!
- E o tempo passa!!!...
- E eu já comecei a ficar com cu na mão.
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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