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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ser poeta

Ser poeta não é navegar pela mente
à procura de ilhas e sereias,
não é sentir-se poderoso e grande
na ansiedade, no desespero
e na angústia que domina o coração.

Não é falar de amor
e se sentir amado,
não é contar belezas de um mundo novo,
não é chorar em forma de palavras,
tampouco é mostrar glórias,
tristezas, um doce cantar
ou viver do lirismo
de uma flor a desabrochar.

Ser poeta não é ouvir o mar
e dedicar-lhe versos,
não é observar crianças
e senti-las infinitas,
não é sentir no peito
a condição de sofredor,
não é sentir nos olhos
todas as formas de amor.

Não é se trancar no quarto
e fazer um verso à pessoa amada.
Não é viver da poesia
pela poesia
na nostalgia de uma saudade.
Não é observar o horizonte
e senti-lo nas mãos,
nem é passar pela vida
fabricando-lhe exaltações;
tampouco é sentir nos olhos
a grandeza do universo
e fazer com que ele caiba numa folha
ou no fundo de um verso.

Ser poeta é mais que tudo isto,
é trazer no peito a própria razão,
é o jeito de se sentir sozinho
com o próprio coração.

domingo, 26 de outubro de 2008

O POEMA DEPOIS DE...

POESIA: SUÃ/SUÃO - 7 ANOS DE SIM/NÃO

O poema depois de pronto me humilha
o poema me aniquila
ri de mim
até faz birra.

Sai pela sala
pela janela
pelas ruas
pelas ladeiras
contando lorotas
virando piruetas
plantando bananeiras
e nem se lembra
que junto dele
vai um pouco de mim
que já não é tão criança
não gosta de brincadeiras
e já não sabe sorrir.
(Recife/Pe-Maio1985)

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A VIDA

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- O tempo passa.

- Inexorável, rápido... assustador!

- A renovação da raça humana é contínua.

- Nem respiramos, os filhos chegam!

- Nem piscamos, os netos estão aí!

- E vamos que ficando meio que perplexos com a velocidade dos fatos...

- A velocidade das nossas vidas.

- O tempo é curto.

- Vivemos poucas primaveras.

- Assistimos poucos amanheceres.

- Viajamos quase nada.

- Vamos ficando obsoletos no cair de cada tarde.

- E conforme o tempo dos filhos avança sobre nós, assistimos à contagem regressiva das nossas vidas.

- Falamos errado: mais um dia na minha vida!

- Sempre acho que cada minuto que passa nunca é mais, é sempre menos!

- E as crianças se misturam com os adultos, que se misturam com os velhos, que se misturam com os muito velhos e o calendário da vida vai contabilizando datas... e perdas.

- E vamos passando, um a um, deixando nossas marcas nos olhos, na boca, no sorriso, nos cabelos, na pele dos nossos filhos e netos.

- E de uma maneira ou de outra continuamos vivos nas ínfimas parcelas da hereditariedade, no infinito inteligível do universo.

- E isto nos deixa mais tranqüilos.

- E certos de que nunca morreremos totalmente.

- Que sempre daremos um sorriso com o rosto de algum "milhiotrineto" daqui a 500 anos.

- Ano que vem vou comprar um ônibus para transportar os filhos e os netos.

- Estão aumentando!!!...

- Parecemos coelhos!

- E o tempo passa!!!...

- E eu já comecei a ficar com cu na mão.

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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