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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O guarda-noturno

Concorde comigo.

A maioria das pessoas gosta de ouvir o apito do guarda-noturno:

Pri pri pri pri pri!

O som ecoa pela noite.

As pessoas se sentem seguras, protegidas, muradas pela presença de um homem, ou mulher, que vela com seu apito solitário a propriedade privada... as vidas.

Eu não gosto!

O apito me deprime.

Me lembra que sou prisioneiro do caos.

Um ser trancado dentro dos muros, das grades, das chaves e que necessita - coisa horrível - de outro ser humano para vigiá-lo, protegê-lo a todo instante dizendo:

"Durma tranquilo, senhor, estou aqui do lado de fora de sua prisão e cuidarei com a minha própria vida do seu sono tranquilo, dos seus bens materiais, da sua família... da sua propriedade."

Pergunto:

E quem velará pela segurança, do sono, dos bens materiais, da família e da propriedade do guarda-noturno - se é que ele os tem - este homem que vive e sobrevive de assoprar apitos e mantém o sistema dentro de uma segurança mínima previsível?

Não, não gosto de guardas-noturnos!

Eles, sem saber, me lembram os campos de concentração nazistas que só vi nos filmes.

Não gosto de guardas-noturnos.

Estou ouvindo um agora!

Me sinto solitário!

E totalmente inseguro com o mundo lá fora.

Que o guarda-noturno insiste, com seu apito, em me avisar que existe.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A respeito do sistema

Você tem mais de 40, 50 anos?

Pense!

No Brasil/América Latina - tipo década 60, 70 quando você raciocinava/pensava e berrava contra o governo: "abaixo a ditadura!", o que acontecia?

A polícia - no Brasil, antigo DOPS - te prendia, porrada pra caralho, com muita sorte só tortura e prisão.

E a gente se fodia sob o braço armado do estado.

E hoje?

Hoje - me responderão - ninguém grita mais "abaixo a ditadura!".

É algo fora de moda... e até cafona.

Mas digo: não há nada fora de moda ou cafona, o que acontece é que o sistema se modernizou e se traveste de algo tipo 'Democracia'.

O sistema nos dá a impressão de que somos conscientes, politicamente corretos e que tudo está de acordo com o manual de instrução dos cidadãos seguidores de leis e cumpridores de deveres.

As regras para controlar o rebanho são uníssonas, sejam os governos de esquerda ou de direita.

Pense comigo: nossa geração nunca esteve tanto nas mãos do sistema como hoje.

Pensamos que temos vida própria, mas não temos!

Vivemos no fio da navalha.

Se você vai brigar com os caras eles não precisam te prender!

É simples!

Te demitem do emprego, cortam a sua água/luz... e pronto!

Do nada, da noite pro dia você e sua família se tornam um zero à esquerda!

Somos pessoas suspensas no suspirar do sistema!

Todos os nossos gestos são permitidos ou não.

Vivemos e convivemos com a falsa sensação de que somos livres... fazemos o que queremos das nossas vidas.

George Orwell está cada vez mais presente no nosso dia-a-dia.

1984 já se foi!

Mas estamos em plena atividade no cerne da sua história e não percebemos.

E somos guardiões da sua moral e respeitamos e fazemos respeitar a única regra existente: não traia o sistema que o castigo é severo e você vai se arrepender.

E pode acreditar, o sistema é vingativo e ele não tem rosto, nem coração, nem piedade.

Nem remorso!

Comporte-se!

E como dizia Chico com a música "Apesar de Você", na década de 70:

"Apesar de você, amanhã há de ser outro dia..."