sábado, 28 de fevereiro de 2009

ALÉIA MARIA

Você, Aléia Maria, mora no meu coração há mais de 20 anos e nunca pagou aluguel!

Esta semana vou entrar com a ordem de despejo!

Você, Aléia, não cuida direito do meu coração!
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TõeRoberto-post in jampa/pb

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

COMUNICADO

Hoje, 27 de fevereiro de 2009, do ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, TõeRoberto, brasileiro/ mineiro/nordestino - filho de Dona Nenê/Seu Neguinho - companheiro de Nena; pai de Milena, Amanita, Inã, Amana, Nayê, da Poodle Megg e do poodle Mô; avô de Letícia, Gabriel, Nayanna e da Poodle Kya; sogro de Marcelo, Marcelo e Hannah; genro de Dona Anete/Seu Euzébio; cunhado de Walter, Carlos e Selma; amigo de trocentos amigos espalhados pelo Brasil afora; ex-companhêro do Lula, inimigo do Bush, brahmeiro; ateu da boca pra fora, mas ateu - completa uma quantidade de anos suficientes pra não ser da sua conta.

Inteirão, quase tudo em cima - algumas coisas 1/2 que pra baixo... óbvio que temporariamente!

Caralho, apesar de tudo dei outra volta com a terra ao redor do sol e ainda estou aqui!

Animado que só, me achando imortal!

A verdade é uma só: idiota não tem tédio!

Ano passado escrevi um artigo incrementado para o meu aniversário, este ano estou humilde, quero sossego... silêncio!

E me parabenizar por ter conseguido fechar mais um ciclo, apesar de todos os exageros emocionais, gastronômicos e etílicos.

E tem mais, sábado passado eu fiz uma grande festa... e vou fazer outra!

Afinal só se completa "não é da sua conta" uma vez na vida!

E a festa foi coletiva: Amana, Nayê e eu; Feijoada, o prato principal; trocentas cervejas, 05 litros de cachaça, 02 litros de Rom Montilla, 02 litros de vodka e 01 coca-cola em lata - só pra ninguém dizer que não tinha refrigerante.

Um bolinho muito mixuruca feito pela Adriana.

A presença de TõeRoberto, Nena, Amana, Nayê, Clareanna, Mél, Adriana, Duda, Vlad, Solange, Evelyn, Givaldo, Fabinho, George, Rafael, Átila, Edilma, Lívia, Pedro, Danilo, Wayana, Tixto, Gabriela, Suzane, Felipe, Cida, Cristiane; os Poodles Megg&kya&Mô... e música, muita música!... E da melhor qualidade possível!

E ainda faltaram:

Borginho, Tó, Bet, Vera, Maurício, Dedé, Sofia, Dimirzinho, Paletta, D.Nenê, Seu Neguinho, Terezinha, Seu Juca, Luciana, Manduca, Toninho, Luzia, Du, Pratinha, Luizão, Ivan, Fernandão, Luizinho, Marli, Tata, Solange, Ana, Neide, Quilão, Chico, Zé de Alcântara, Glória, Gatão, Paco, Zé Carlos, Sônia, Ninho, Vininho, Beija-Flor, Marquinho, Sabino, Humberto, Kiko, Laércio, João, Laudelina, Marcinho CB4, Toninho, Jesus, Arnaud, Eliseu, Vilma, Israel, Messias, Vera, Stella, Rafael, Ivonete, Catarina, Eliane, Cida, Vilma, Clovinel, Ethel, Bruno, Lívia, Lilian, Nágla, Waldir, Tianinha, Carla, Hamilton, Sônia, Mário, Bueno, Dete, Norma, Manoel, Tião, Silvio, Gilberto, Bigode, Marco Pietragalla, Selma, Anete. Euzébio, Audrey, Emi, Ivete, Koriyo, Malu, Kleber, Etsuko, Valter, Neide, Efraim, Jorge, Piga, Inês, Adinho, Laurinho, Roseli, Goiás Brasil, Dalva, Plinio, Sônia, Cida, Romildo, Chico, João Camilo, Zé Luiz, Alberto, Xinxim, Alberto, Jerônimo, Lurdinha, Josenildo, Marcos, Socorro Miranda, Socorro Lisboa, Socorrinho, Marieta, Rejane, Erotildes, Marcos, Socorro, Cristina, Duval, Bartô, Nado, Toinho, D. Carminha, Seu João, Cida, Norival, Tonho, Almir, Nilza, Joca, Roberto, Andréa, Gabriel, Marcelo, Regina, Nelsinho, Lourenço, Bel, Aline, Fernanda, Netinho, Verinha, Camilo, Dênis, Laura, Valdir, Marlene, David, Tânia, Socorro, Mazé, Buza, Margareth, Jorge, Victor, Martins, Augusto, Nilton, Almir, Fernandão, Nádia, Elder, Citon, Rosa, Nestor, Nilton, Maria, Virgínia, Paulo, Pedro, Maria, Leda, Cecilia, Rodnei, Marilene, Angelina, Ama, Paulo Jr., Ana, Lafaiete, Luzitânia, Ádson, Sumário, Jô, Marquinho, Kátia, Vitória, Anselmo, Alic, Maju, D. Maria, Seu Wilson, Moacir, Nani, Cleusa, Emídio, Wagno, Chero, D. Rosa, Elminha, Roque, Lívio, Élcio, Seu Zé, D. Maria, Luciano, Gomes, Lorinho, Geraldinho, Guto, Caru, Moacir, Maurício, Piedade, Diego, Thiago, Joana, Luiz, Jane, Otto, Lucinha, Aélcio, Karina, Goiabeira, Guilherme, Doli, Cássio, Patrícia, Luciana, Alírio, Husmann, Jacqueline, Nendy, Fátima, Rildo, Milena, Marcelo I, Amanita, Marcelo II, Inã, Maurício, Renata, Reinaldo, Patrícia, Hannah, Renan, Klebinho, Gabi, Aline.

Ainda dá tempo de participar da festa de hoje, pegue o avião... e voe!

A sua presença... e, principalmente, o presente são muito importantes para mim.

Mas a sua presença - você que é meu amigo/amiga - é o meu grande presente... de coração!

Compareça, vamos bater um violãozinho, cantar umas musiquinhas e tomar aquelas cervejinhas... o ano que vem tá longe - nunca se sabe, não é?

Então vamos lá!

Parabéns para mim, nesta data...

E quem foi o viado que tomou o meu Engov?
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TõeRoberto-post in jampa/pb

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A ESTE CAOS...

A este caos com que desenho a tarde
junto um pouco de silêncio e tédio
e olho solto, inconsequente
o vulto patético, obscuro
que se forma nos gestos,
nos risos, nos passos
de homens, mulheres,
plantas, crianças
animais e minerais
e sinto na boca um gosto vago
da plena e obscura atitude
dos meus restos, meus pedaços
agora vivos, isolados
cada um com seus sonhos
com sua dor, seu medo, sua fé
como se eu fosse, agora
no caos da tarde
a clara formação do cinza
na parede azul-turquesa
do meu horizonte sem linha.

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TõeRoberto-recife/pe-junho1985-post in jampa/pb

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

FOBIAS

Estou aqui, sentado no canto da sala!
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Foi o lugar que achei pra me esconder do mundo... de mim mesmo, mas sei que este não é o lugar!
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Pensei em me esconder no lugar mais alto do mundo, mas sou acrofóbico.
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No lugar mais escuro do mundo, mas sou acluofóbico.
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No menor espaço do mundo, mas sou claustofóbico.
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No lugar mais profundo do oceano, mas sou batofóbico.
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No lugar mais movimentado do mundo, mas sou agorafóbico.
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Pensei em me esconder dentro da minha cabeça, mas sou ideofóbico.
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Pensei... mas sou fronemofóbico.
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E, na verdade, quero apenas me esconder de mim mesmo, mas sou autofóbico.
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Quero, mesmo com os meus medos, achar a minha solução.
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Quero enfiar a alma dentro do coração.
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Quero me excluir do mundo, no que se refere à minha abstração.
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Deitar a cabeça na palma da mão, com aquele ar de biofóbico, gente que tem medo da... ah, você sabe do que estou falando!
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E dormir!
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Que é no sono que está o lugar mais seguro do mundo.
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A não ser quando as ondas gigantes invadem, na madrugada insone - sou cimofóbico - e sonho que não vou mais acordar.
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E me debato desesperado nas ondas imensas do sonho, mergulhado na minha fobofobia.
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E me sinto agliofóbico.
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Solitário.
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Pensando numa gigantesca palavra para explicar as minhas atitudes, mas sou hipopotomonstrosesquipedaliofóbico.
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E choro, mas sou catagelofóbico.
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E também oneirofóbico!
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E...
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TõeRoberto-post in jampa/pb

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

ADALZÉLIA MAGALI

Dizem, Adalzélia Magali, que o amor é o sentimento mais puro do mundo!

Não concordo!

Às vezes amor&ódio se misturam numa fórmula de extrema felicidade.

E riso&choro, alegria&tristeza, paz&guerra se encontram nos meus olhos no cair da tarde.

E te digo: nunca consegui tocar a tênue linha que nos separa do amor&ódio, da vida&morte, do eu&você.

Nunca consegui entender o seu coração camaleão: de manhã, Gandhi; à noite, Stalin - e o meu: de manhã, Stalin; à noite, Gandhi.

Acho que somos apenas humanos!
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TõeRoberto-post in jampa/pb

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

INVENTÁRIO I

120 coisas que eu detesto:
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Abrir vidro de palmito, final do tubo da pasta de dente, banho frio, perder para o Corinthians, sapato;
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Ir ao shopping, gravata, dia de pagar conta, segunda-feira, viajar de madrugada;
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Pegar legume em gaveta de geladeira, fila, gerente de banco, arrogância do FHC, comer no quilo;
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Comida mal temperada, dia de limpeza de casa, lavar roupa, ser o noivo, segurar peido;
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Passar roupa, gente enrolada, atrasos, fascista, discurso;
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Médico, apartamento, tomar remédio, o Bush, axé;
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Dirigir, viajar pra São Paulo, comprar presente, música sertaneja, pagode;
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Igreja, partido político, carne bem passada, falsos profetas, leis de mercado;
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Hipocrisia, MSN, abrir lata de sardinha, pentear cabelo, futilidades;
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Cerveja quente, bar que fecha cedo, levantar tarde, sinusite, dormir sem travesseiro;
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Pirangagem, café velho, leite quente, mulher brava, limpar banheiro;
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Guerra, goteira, conversa mole, pagar o Visa, conversa de padre/pastor;
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Programa de auditório, quarto claro, briga de casal, restaurante cheio, horário eleitoral;
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Rompante do Lula, peixe congelado, cachaça, ônibus cheio, juros bancários;
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Ovo bem passado, muriçoca, Jornal Nacional, congestionamento, vestir calça;
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Cortar cabelo, atender telefone, comida fria, cozinhar pra gente enjoada, casa fechada;
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Compromisso, fumar, desencontros, ciúmes, safadeza de empresário;
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Puxa saco, perder o trem, morar muito tempo no mesmo lugar, ficar sem minhas poodles, refrigerante;
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Livro muito grande, sacanagem de político, camarão muito cozido, ganância de banqueiro, fofoca;
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Bêbado chato, guardar panela embaixo da pia, novela, gente preguiçosa, abrir embalagem de café;
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BBB, dentista, atendimento virtual de empresa, guardador de carro, ser padrinho de casamento;
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Menu de atendimento virtual de empresa, formalidade, parede branca, perfume, pegar em dinheiro velho;
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Frio, semana que antecede ao Natal, sentimento de culpa, esperar, ser contrariado;
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Poeira na mão, noite mal dormida, fazer imposto de renda, vento frio na praia, transar só uma vez por mês.
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E você?
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Tem alguma coisa que você detesta?
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Faça uma lista, é bom pra você se conhecer melhor.
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Mas não vale mentir, como eu fiz no último item.
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TõeRoberto-post in jampa/pb

domingo, 22 de fevereiro de 2009

ELEGIA AO AMOR PROFANO

Para Milena, Amanita, Inã, Amana e Nayê, filhos.

De quem serão as crianças
que fazemos sem pensar?
E as que foram feitas
com nossa atenção dobrada
a leve mão na barriga
a doce voz pelos poros
aquela espera sentida...
o aflito contar das horas?

De quem serão as crianças
as pensadas, não pensadas?
Da rosa, cores, perfumes
bicos, pólen, vento...asas
espuma rondando a praia
azul lambendo o mormaço
gritinhos, olhos, desenhos
vida, arrepio... graça
campos de lantejoulas
matas, riachos, praças
cantiga de beija-flores
nuvens, chuva... fumaça?

De quem serão as crianças
as sonhadas, não sonhadas?
Das muitas, pobres partilhas
invasões, saques, ardis
eterna, vil armadilha
de sermos tão pueris
sozinhos, mudos, perdidos
consumido, mergulhados
no negro mangue dos dias
no frágil tic das horas
no seco som das palavras
no fundo poço dos olhos
na lenda viva, obscura...
nosso vulto na aurora?

De quem serão as crianças
as amadas, não amadas?
Das migalhas de um sono
não dormido, amamentado
no reles desejo de ira
violências, desagravos
no fino mel do veneno
faca...honra aviltada
no verde grão da inocência
humo...fome plantada
nas rudes, cegas verdades
dos levianos retratos
dos velhos, vagos anseios
pobres sonhos calados
na fria, tola permuta
a mesma face pintada
o mesmo sono invencível
vida, morte acuadas
desenhos, sons, aparências...
nosso próprio cansaço?

De quem serão as crianças
as cansadas, não cansadas?
Do gosto amargo da língua
das palavras malfaladas
do olhar fero, terrível
dos amores degolados
no eterno, doído medo
punhal... sentença talhada
na vida estéril, inerte
dos casais mal-acabados?

Serão de circo as crianças
plumas, vedetes, palhaços?
Mansos leões afagando mãos
chicote... o mágico
estranha plateia, cantigas
serenas formas aladas
aplausos, grito...delírio
o bis fluindo dos lábios
alma, corpo, destino
escadas do cadafalso
punhos, força, instinto
silêncio, reza... carrasco
rito, cenas, algemas
vaias, forca... sarcasmos
débeis flores nascendo
quietude, corte... mais nada?

De quem serão as crianças?
Do fato ou do nosso ato
de sermos todas as horas
um equilíbrio em farrapos
um pequenino retrato vazio
sem fundo... face
imagem nua... disforme
do amor carente de ordem
amor passível de morte
que veio, pousou nos olhos
teceu lampejos de posse
roeu cantigas serenas
comeu a linfa da vida
roubou a fé tão pequena
plantou sementes de ódio
tingiu o mel com veneno
torceu a linha dos sonhos
traçou o fio da sentença
forçando garganta abaixo
a sina dos mil dilemas?

De quem serão as crianças
as cantadas, não cantadas?
Do nosso parvo delírio
restos de dores guardadas
no rosto sério, ferido
nos olhos fitos, sem água?

Serão do crime as crianças
milhões de crimes da raça?
Dos vinte crimes de frases
de um só crime, a palavra
do crime acalentado
por nossa voz afiada
o frouxo corpo encolhido
as frágeis mãos calejadas
o cego gosto da posse
o couro cru da chibata
a vaga calma perdida
nessa triste, vil trapaça
de sermos feitos de alma
de vergonhas, de migalhas
de rotas pedras caídas
nas ruínas de uma praça
de honra, status, pompas
que não servem para nada?

De quem serão as crianças
as honradas, não honradas?
Do sujo, medonho espólio
herança sempre macabra
de quem nessa vida mata
com beijos, o objeto amado?

Serão nossas as crianças
pernas, pâncreas, cada abraço
choros, birras, artes, manhas
risos, sonhos, pés, trapaças?
O voo de cada dia
a vida presa no laço
a plena vida escondida
vingança, neuro, disfarce
selada com sete chaves
ciúmes, medo, maldade
eleita, em coro, no escuro
pra servir de cambalacho?

Serão nossas as crianças
produzidas pras idades
ou serão como nós próprios
prisioneiras desse nada?

De quem serão as crianças
as que ficam, não ficaram?
Da fosca prata da lua
do seco pó das estradas
dos andaimes de concreto
das obras não terminadas
da fina imagem do vidro
dos olhos semicerrados
dos fundos sulcos, das rugas
pintura...rosto marcado
por esse suicídio lento
resíduo... vida calada
o nada - fuga impossível
essa agonia pirata
que ronda com suas espadas
o nosso peito de lata?

Serão do tempo as crianças
lábios, seios inchados
na cólica negra da noite
o canto desesperado
da fome - ave do vento
leite, no ego, estragado
por tanto sim escondido
por tantos beijos negados?

De quem serão as crianças
as beijadas, não beijadas?
Do nosso gostoso abraço
daquela velha amizade
do leve toque de pele
o livre canto sem hora
de tudo que prometemos
bonecas, parques e palmas
por tudo que lhes passamos
angústias, gritos e tapas?

De quem serão as crianças
com seus olhinhos sensatos
suas mãozinhas serenas
seus rostinhos alados?
Do curso longo, violento
das vidas atormentadas
dos vagos, duros rancores
de algum amor enfadado
desse olhar indescritível
dos adultos retalhados?

Serão de fato e direito
divisíveis, partilháveis
serão unguentos possíveis
pros nossos cortes baratos
pros nossos pequenos traumas
pra eterna falta de tato?

Serão nossas as crianças
as com marcas, não marcadas?
Ou desse medonho poço
vida, sonhos aprisionados
na rasa, pura mentira
essa sentença calada
de sermos filhos que somos
aflitos pais não lembrados
antiga fome contida
no peito - órgão gelado
por nosso fel escondido
no estranho mundo da alma?

Serão nossas as crianças?
As faladas, não faladas?
Ou serão do mesmo barro:
filhos, pais, velhos, casais
gritos, medo, desatino
o silêncio... nada mais!

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TõeRoberto-recife/pe/maio1985-post in jampa/pb