CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS
- Diante dos crimes ocorridos na semana passada em São Paulo - a morte do garçon - e no Rio de Janeiro - o espancamento da doméstica - lembrei-me de uma coisa:
- A Globo esqueceu...
- Os Jornais esqueceram...
- O Governo esqueceu...
- A Igreja esqueceu...
- Você esqueceu...
- Mas eu não esqueci!...
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- Bertold Bretch, no seu poema AGORA LÉVANME A MIM, faz referência ao desenvolvimento do nazismo antes da 2ª guerra mundial:
"Primeiro levaron aos comunistas
pero a min non me importou
porque eu non o era.
Axiña levaron a uns obreiros
pero a min non me importou
porque eu tampouco o era.
Despois detiveron aos sindicalistas
pero a min non me importou
porque eu non son sindicalista.
Logo apresaron a uns curas
pero como eu non son relixioso
tampouco me importou.
Agora lévanme a min
pero xa é tarde."
- Lembrei-me do crime horroroso ocorrido na cidade de BragançaPaulista/SP, em Dezembro de 2006, e acho que poderia acrescentar mais uma estrofe ao poema:
AGORA MATARAM A FAMÍLIA OLIVEIRA,
MAS A MIM NÃO ME IMPORTA,
EU NÃO SOU OLIVEIRA.
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- É o Brasil de hoje.
- Perdemos a nossa capacidade de nos indignarmos. Somos tolerantes com tudo, não queremos perder privilégios.
- A violência é endêmica, comum no nosso dia-a-dia, como se fosse um vício, um capítulo de novela - aguardada com ansiedade.
- Jovens se matam ou são mortos aos montes no país: e daí?, são os filhos dos outros!
- Crianças vivem nas ruas, abaixo da linha da miséria: e daí?, são crianças dos outros!
- Analfabetos: e daí?, meu filho tem uma boa escola!
- Milhares de pais de família desempregados, bêbados, pelas periferias das cidades: e daí?, eu tenho emprego!
- As favelas se proliferam: e daí?, eu tenho minha casa!
- Os salários pagos aos trabalhadores são cada vez mais miseráveis: e daí?, eu ganho bem!
- Pessoas morrem nas filas dos hospitais públicos: e daí?, eu tenho um bom convênio médico!
- Vivemos numa sociedade do EU supremo: entramos em casa, erguemos muros, eletrificamos cercas e nos escondemos do Brasil que fica do lado de fora: o Brasil dos outros, o Brasil do não sou eu.
- O crime de Bragança e os de São Paulo e Rio de Janeiro mostram claramente que se não fizermos nada, se não recuperarmos nossa capacidade de nos indignarmos, de verdade, a cada monstruosidade assistida - não de mentirinha como sempre fazemos todos nós: o povo, o artista, o banqueiro, o industrial, o comerciante, o agricultor, o latifundiário, a igreja, a mídia, os políticos e o governo, nossa hora também chegará, e os outros também dirão: e daí?, não sou eu, não é a minha família!
- Observo que nossa indignação é aquecida pela mídia: se ela esquenta o assunto, insiste, ficamos muito, mas muito indignados; se ela esfria o assunto, esquecemos rápido e esperamos tranqüilamente a próxima tragédia: com os outros, é claro!
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- E como disse um sábio aluno do ENEM:
"VAMOS DEIXAR DE SERMOS EGOÍSTAS E PENSARMOS UM POUCO MAIS EM NÓS".
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
- Diante dos crimes ocorridos na semana passada em São Paulo - a morte do garçon - e no Rio de Janeiro - o espancamento da doméstica - lembrei-me de uma coisa:
- A Globo esqueceu...
- Os Jornais esqueceram...
- O Governo esqueceu...
- A Igreja esqueceu...
- Você esqueceu...
- Mas eu não esqueci!...
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- Bertold Bretch, no seu poema AGORA LÉVANME A MIM, faz referência ao desenvolvimento do nazismo antes da 2ª guerra mundial:
"Primeiro levaron aos comunistas
pero a min non me importou
porque eu non o era.
Axiña levaron a uns obreiros
pero a min non me importou
porque eu tampouco o era.
Despois detiveron aos sindicalistas
pero a min non me importou
porque eu non son sindicalista.
Logo apresaron a uns curas
pero como eu non son relixioso
tampouco me importou.
Agora lévanme a min
pero xa é tarde."
- Lembrei-me do crime horroroso ocorrido na cidade de BragançaPaulista/SP, em Dezembro de 2006, e acho que poderia acrescentar mais uma estrofe ao poema:
AGORA MATARAM A FAMÍLIA OLIVEIRA,
MAS A MIM NÃO ME IMPORTA,
EU NÃO SOU OLIVEIRA.
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- É o Brasil de hoje.
- Perdemos a nossa capacidade de nos indignarmos. Somos tolerantes com tudo, não queremos perder privilégios.
- A violência é endêmica, comum no nosso dia-a-dia, como se fosse um vício, um capítulo de novela - aguardada com ansiedade.
- Jovens se matam ou são mortos aos montes no país: e daí?, são os filhos dos outros!
- Crianças vivem nas ruas, abaixo da linha da miséria: e daí?, são crianças dos outros!
- Analfabetos: e daí?, meu filho tem uma boa escola!
- Milhares de pais de família desempregados, bêbados, pelas periferias das cidades: e daí?, eu tenho emprego!
- As favelas se proliferam: e daí?, eu tenho minha casa!
- Os salários pagos aos trabalhadores são cada vez mais miseráveis: e daí?, eu ganho bem!
- Pessoas morrem nas filas dos hospitais públicos: e daí?, eu tenho um bom convênio médico!
- Vivemos numa sociedade do EU supremo: entramos em casa, erguemos muros, eletrificamos cercas e nos escondemos do Brasil que fica do lado de fora: o Brasil dos outros, o Brasil do não sou eu.
- O crime de Bragança e os de São Paulo e Rio de Janeiro mostram claramente que se não fizermos nada, se não recuperarmos nossa capacidade de nos indignarmos, de verdade, a cada monstruosidade assistida - não de mentirinha como sempre fazemos todos nós: o povo, o artista, o banqueiro, o industrial, o comerciante, o agricultor, o latifundiário, a igreja, a mídia, os políticos e o governo, nossa hora também chegará, e os outros também dirão: e daí?, não sou eu, não é a minha família!
- Observo que nossa indignação é aquecida pela mídia: se ela esquenta o assunto, insiste, ficamos muito, mas muito indignados; se ela esfria o assunto, esquecemos rápido e esperamos tranqüilamente a próxima tragédia: com os outros, é claro!
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- E como disse um sábio aluno do ENEM:
"VAMOS DEIXAR DE SERMOS EGOÍSTAS E PENSARMOS UM POUCO MAIS EM NÓS".
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in João Pessoa/PB

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