terça-feira, 31 de julho de 2007

A JACA

CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS

- Eu vi, aconteceu na minha frente!

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- Palco: Uma praça, Recife - meio-dia; sol cozinhando os miolos.

- Cena 1 - Camelô e o filho vendendo frutas.

- Chega um sujeito vestido todo de branco, aponta uma jaca enorme, no chão, e pergunta o preço.

- O camelô: 5 real!

- O sujeito: Tá vendo aquela clínica ali - aponta uma casa com uma placa: Fisioterapia. Daqui a uns 10 minutos tu manda o moleque levar a jaca até lá. Ah!, e manda troco pra 20 que eu não tenho trocado.

- Saiu e se dirigiu à clínica.

- Cena 2: Sol ardido, o moleque com a jaca na cabeça e vai para a clínica. Chegando lá o sujeito encontra com ele na varanda e diz:

- Sujeito: bota a jaca aí no chão, me dá o dinheiro que eu vou pegar o troco. Espera aí que já volto.

- O moleque entrega o dinheiro, o sujeito entra na clínica.

- 10 minutos depois: nada do sujeito... nem do troco.

- O moleque entra na clínica e pergunta pelo sujeito à recepcionista.

- Recepcionista: médico?, aqui não entrou médico nenhum! É horário de almoço! Tá todo mundo almoçando!

- Cena 3: Sol derretendo o asfalto, lá vem o moleque com a jaca na cabeça.

- Pai: tu voltô com a jaca? Cadê o dinheiro, moleque?

- Silêncio.

- Pai: cadê o dinheiro, infeliz!

- Silêncio.

- Pai - dando um cascudo na cabeça do moleque - ô barriga ruim tem a tua mãe! Como é que alguém vai parir uma coisa burra que nem tu?

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- Eu vi!

- E cheguei à conclusão: a miséria é autofágica!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in João Pessoa/PB

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