CRÔNICAS&CONTOS: SOBRE NÓS&OS OUTROS
- A mídia é uma faca de dois gumes.
- Às vezes quer azarar - ajuda; outras vezes quer ajudar - azara.
- Caso típico das eleições de 2006.
- Caso típico do dono do Bar da Buchada, em Pernambuco, "Oclinho".
- Relembrando:
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- Palco: Bar da Buchada, Olinda. Ano de 1986.- Personagens: Oclinho, o dono; a mãe de Oclinho.
- A história:
- Para mim e os meus amigos - o Negão Almir e Romildo - o Bar da Buchada, em Maranguape, era o nosso point de cerveja e violão.
- Apenas um casebre com uma puxadinha na frente, uma buchada de bode de fazer inveja a qualquer restaurante de nome.
- Oclinho, o dono, magrinho, cara chupada, uns óculos minúsculos, azuis, pendurados no meio do nariz.
- A "Mõe", era como chamava a mãe, sempre dormindo.
- Uma noite Oclinho estava animado com uma cadela que pariu um monte de filhotes de pastor alemão, no fundo do casebre. Falava com muito entusiasmo do tamanho e da gordura dos cachorros.
- Bebemos, cantamos, comemos a buchada maravilhosa, esquecemos os cachorros e ficamos o resto da semana sem aparecer no bar.
- No final de semana, à noite, o Negão Almir chega em casa: branco, apressado, esbaforido.
- Corre para o banheiro e uááá!!!... bota tudo para fora.
- Gago que era: "A bu...bu...bu...cha...chadinha do... do...Oclinho!"
- Eu: estava estragada?
- Negão Almir: nã-nã-não! Sa-sa-saiu na... na... te...te...tele...vi...vi...são! E...e...eu...eu... eu vi...eu vi! Eu...eu...co...co...mi...comi lá ho...ho...hoje!
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- A buchada saiu na televisão, saiu nos jornais e saiu nos rádios.
- Descobriram que Oclinho, durante a semana toda, tinha servido buchada de pastor alemão. O safado fez buchada da ninhada de filhotes!
- Resultado: o Negão Almir ficou uns seis meses sem passar perto de uma buchada e Romildo, que já se foi, não o deixava esquecer de maneira nenhuma da dita iguaria. O Negão Almir vivia com ânsias.
- Para o Bar da Buchada o resultado da denúncia foi imediato: cresceu de tal forma que chegava a ter duas bandas tocando no domingo. O sucesso da propaganda foi absoluto!
- Oclinho continuou magrinho, com sua carinha chupada, seus óculos minúsculos, azuis, pendurados no nariz e vendendo buchada como jamais imaginou na sua vida.
- A "Mõe" acho que nem dormia mais!
- A mídia fez o seu trabalho ao contrário: era pra azarar - ajudou.
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- Eu estava lá e aprendi uma coisa: antes de comer uma buchada em qualquer lugar, ponha um gato perto da panela. Se ele sair correndo, não coma!
(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in João Pessoa/PB

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