segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O BAILE

KONSIDERAÇÕES SOBRE... SEU NEGUINHO

- A memória é algo formidável.

- Esconde tesouros, crimes, vergonhas, coragens... todo nosso passado.

- Na rua, hoje, a música:

"Abre a janela, querida
venha ver o luar cor de prata
venha ouvir o som desse meu pinho
na canção de uma serenata..."

- Antiga, Pedro Bento e Zé da Estrada.

- Meu pai - "Seu Neguinho" - a amava.

- Junto à lembrança de Seu Neguinho veio os bailes da Gonçalvina - "Gonçarvina" para os mineiros.

- A Casa do "João da Gonçarvina", aos sábados, era o point dos boêmios, músicos, mulherengos, farristas e dançarinos.

- Uma casa humilde, uma família humilde, um baile. Não era prostíbulo, era só um baile!

- Eu, criança, me lembro!

- Na madrugada silenciosa do interior a música viajava serena.

- 03 da manhã acordava: o som do cavaquinho e a voz de Seu Neguinho flutuavam no vento da noite.

- A música:

- "Abre a janela, querida
venha ver..."

- A minha mãe, irrequieta.

- Somente aos sábados: um único momento de paz e alegria para pessoas que carregam o mundo nas costas.

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- Seu Neguinho se foi: não era mulherengo. Apenas um homem solitário e sensível.

- Analfabeto nas letras e letrado na sensibilidade.

- Um poeta da noite!

- Tomava suas cachaças, tocava seu cavaquinho e cantava suas canções para suportar o mundo e o seu trabalho duro.

- Fui entendê-lo há pouco tempo. Fiquei com vergonha da minha demorada ignorância.

- Era um homem e seu universo limitado e voraz. Um homem de peles!...

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- "Sei que dormes sonhando com outro
desprezando quem é o teu amor
quem tu amas de ti nem se lembra
quem te quer você não dá valor..."

- Uma lágrima!...

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in João Pessoa/PB

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