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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vivemos à mercê do acaso

Com 10 ou 60 anos a verdade é uma só.

Vivemos à mercê do acaso.

Não temos o menor controle sobre o nosso destino.

Num momento estamos com saúde, noutro estamos em dificuldades.

Noutro momento estamos no controle, logo em seguida estamos à deriva.

Alguns dirão que não, que temos condições de controlar nossas vidas.

Eu acho que é um falso controle.

Muita gente não gosta de determinismo.

Eu também não gosto, mas acho que estamos fadados à sua lógica.

Acho que nascemos com data e hora para morrer e não há nada que se possa fazer.

Uma ação nossa sempre desencadeia uma reação, um fato novo.

E de ação em ação vamos traçando a teia complexa do nosso passamento.

E por mais que queiramos ser racionais nosso dia-a-dia é sempre recoberto por uma aura de mistério... de espera.

Será hoje?

Será amanhã?

Depois de amanhã?

Não adianta!

Manda o pau e vá em frente!

Que o seu nome consta da agenda e não há nada que você possa fazer.

Um dia podemos discutir sobre isto nos Jardins do Éden.

No Caldeirão do Inferno.

Ou num lugar qualquer.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ninguém sabe

A mulher e a caipirinha
o demônio e o inferno
dentro de mim.

Ninguém me mataria hoje
ninguém me beijaria
ninguém me cuspiria
ou xingaria minha mãe.

Ninguém sabe
mas há muito tempo
a vida não termina hoje
nem amanhã
quem sabe no mês que vem.

Não me importo:
amor, posição, dinheiro
as três estações do homem
ninguém sabe, nem saberá!

A noite comprida
esta rua estreita
ninguém sabe o que será.

Sejamos compreensivos
com esta lua alcoólica.

Vem comigo
a mulher espera
com as tetas...
e o cigarro na boca.

Ninguém sabe
mas a mulher espera
há mil e novecentos anos
ela espera que a gente entenda
que nas tetas malabaristas
está escondida a vida.

Ninguém sabe, nem saberá!

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TõeRoberto-são paulo/sp-05abril1974

terça-feira, 18 de novembro de 2008

IVISWILDES MARCELA

ELA&EU
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- Se na cama eu gostasse de papo cabeça, Iviswildes Marcela, eu ia ficar com o Arnaldo Jabor!


- A cama é o altar dos rituais mais sujos.

- Dos palavrões mais obscenos.

- Dos corpos em fúria.

- A cama é o santuário da indecência.

- Ao lado da cama está sempre o diabo, contabilizando os nossos pecados!

- E eu, Iviswildes, não quero me salvar - vou mostrar para o diabo o que é pecar, o que é estar no paraíso pronto para merecer o inferno.

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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

sábado, 1 de novembro de 2008

ANDROLÊNIA EUNICE

ELEA&EU
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- Ah, Androlênia Eunice, por mais que os anos passem ainda ficamos feridos!

- As mágoas são cicatrizes profundas e não saem com água e sabão.

- As lembranças de momentos mórbidos ainda nos levam à insônia e aos vícios.

- Quanto tempo ainda tenho de inferno em vida?

- Não existe um tempo em que recebemos meio que assim um perdão?

- Ah, Androlênia, depois da tempestade nunca mais que eu te vi!.
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Monteiro/PB

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CÉU&INFERNO

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- O meu amigo Dedé - quando falava de morte - sempre dizia:

- Céu?, puta que o pariu com o céu! Lá só deve ter velho, menino, padre e político - não são todos santos?

- Mulher gostosa e manguaceiro? Tá tudo no inferno!

- E continuava:

- O céu deve ser um saco: beata rezando, menino chorando - cagando - padre dando sermão e político fazendo discurso.

- Sem boteco, sem zona, sem samba!

- Deus não entende porra nenhuma de curtir a vida.

- O capeta é o homem!

- Inferninhos, puteiros, botecos, ressacas eternas.

- O capeta quer que a gente peque - e muito!

- Tô com meu amigo Dedé.

- Eu quero viver a eternidade pecando.

- Eu quero viver no inferno.

- Ao lado da Sharon Stone, da Marilyn Monroe, da Camila Pitanga.

- Ao lado do Zeca Pagodinho, do Vinicius e do Cartola.

- Ao lado de tudo que é mulher gostosa e sambista sem-vergonha deste mundo - que, segundo dizem, são de Deus.

- Axé, meu amigo Dedé!

- Que ainda dizia: o céu para ser um paraíso tinha que ser um grande boteco, que não fechasse nunca; a mulher - ou ditadura doméstica - nunca fosse atrás; a cachaça não desse ressaca; não precisasse pagar a conta; onde não existisse segunda-feira... nem patrão.

- Passo a régua e não fecho a conta.

- Estou contigo e não abro, meu amigo Dedé!

- Um grande abraço onde você estiver.

- Com certeza, tomando uma grande caipirinha, fumando um cigarrinho, metendo o pau no governo... e ouvindo Bandeira Branca.

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB