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sábado, 6 de dezembro de 2008

CAPITULINA SIRLENE

- Ah, Capitulina Sirlene, pensa num sujeito incompetente com mulher !

- Eu!!!

- Sou um ímã ao contrário.

- Sou um repelente natural de mulher.

- Se eu vou pro Sul, vão pro Norte.

- Se estou no pôr-do-sol, estão no nascer da lua.

- Se estou num passeio, estão no outro.

- Posso lhe fazer uma pergunta?

- O que você viu em mim para amar, apaixonar, desejar, tresloucar, pirar, baratinar, enciumar, gritar, berrar, agarrar, azarar, quebrar tudo que você vê na frente só porque fui tomar uma cerveja ali na esquina?

- Eu, Capitulina, sou apenas o seu marido caralhamente incompetente com mulher!
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TõeRoberto-03:18-post in jampa/pb

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

SOBREVIVÊNCIAS

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Houve um tempo em que eu não contava estrelas.

- Nem admirava os olhos de uma bela mulher.

- Nem dava a mínima atenção à lua.

- Não enxergava o desabrochar das flores.

- Não ouvia o canto dos pássaros.

- Nem o ruído manso da chuva na vidraça.

- Não afagava os animais.

- E não tinha a menor idéia que havia amanheceres.

- Que havia raios de sol no entremeio das folhas da relva.

- Eu me lixava pras felicidades.

- Comer era um gesto mecânico para sobreviver.

- Não deixava a música penetrar no meu íntimo.

- Lacrava em caixas os livros de poesia que encontrava.

- O riso era encarcerado.

- O bom-humor, artigo de luxo.

- O querer bem uma fatalidade.

- Houve um tempo em que eu me neguei como pessoa.

- Me entreguei ao mundo dos ausentes.

- E passei momentaneamente pela vida como um viajante sem bagagens.

- Um viajante sem rumo.

- Um homem que simplesmente necessitou sobreviver.

- E os que sobrevivem não têm tempo para encantamentos, se perdem no pântano das necessidades diárias e reais e não enxergam, à sua frente, o lado simples e mágico da vida.

- Houve um tempo em que sobrevivi a mim mesmo.

- Hoje ainda carrego marcas da minha sobrevivência.

- Mas já consigo sentir um pequeno arrepio a cada manhã.

- Consigo enxergar o sol.

- A delicadeza da água.

- Os olhos do meu filho.

- Sinto as asas crescerem.

- Qualquer dia acordarei anjo.

- E voarei pelas minhas entranhas à procura dos meus arrebóis.

- E me tornarei novamente uma pessoa.

- Sem remorsos!
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(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
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domingo, 31 de agosto de 2008

SERÁ?

POESIA: SUÃ/SUÃO - 7 ANOS DE SIM/NÃO

Será

será que a lua entende
de olhos
olhos sem brilho?
Ela que também se apaga
no escuro
no escuro dos seus trilhos?
(Recife/Pe-Maio1985)


(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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