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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A respeito das rosas


Outro dia olhando um jardineiro, já velho, que cuidava de uma rosa vermelha com um cuidado excessivo em um pequeno jardim, me perguntei:

Como pode um ser humano, em pleno século XXI, o século da parafernália digital/eletrônica, perder tanto tempo com uma coisa tão efêmera como uma rosa?

E pensei:

Que pequenez de alma!

Que insignificância um homem se propõe a ter!

E pensei na minha casa.

4 computadores... 4!!!

Com eles vejo todas as flores do mundo num instante.

Cultivo o jardim que eu quiser... virtual, é certo.

Enquanto aquele jardineiro não sai da mesmice do nascimento daquela ou de outra rosa.

Um ser humano preso aos moldes dos tempos em que existiam almas.

Que existiam flores.

Essas coisas passadas.

Presas na memória dos sensíveis que já fomos.

Fico assustado.

Graças a Deus é apenas um insignificante jardineiro.

Que, com certeza, não ameaça a minha visão tacanha de modernidade.

Nem me obriga a revolver a terra.

À procura dos últimos resquícios da vida sobre ela.

À procura de uma rosa vermelha.

Aquela que ele cultivava com natural humanidade.

TõeRoberto

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

RELACIONAMENTOS

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Outro dia ouvi a discussão de duas adolescentes.

- Sobre relacionamentos.

- A eterna e velha discussão do "ninguém é de ninguém"; ou "eu amo, eu obedeço"; ou "me amam, me obedecem".

- A velha discussão que sempre passa pelos velhos conceitos de repressão familiar, da escola e da sociedade como um todo.

- As maioria das meninas de hoje - não sabem - mas ainda são muito parecidas com as suas avós.
.
- Apenas estão revestidas de uma aura de modernidade.

- Mas continuam a ser educadas para conviver de forma submissa e pacífica com o mundo masculino, machista e repressor.

- É quase uma coisa natural, um estigma por assim dizer.

- Tipo: o que posso fazer? As coisas vão ser sempre assim!

- Algumas gritam, esperneiam, brigam, mas a maioria quase sempre acaba se rendendo a uma vida "normal", à vida de doméstica, mãe dedicada aos filhos, esposa fiel ao marido - e que também trabalha fora.

- Os direitos institucionais, por falta não sei se de visão, aqui não servem para nada.

- A maioria parece que não entende que macho é macho, fêmea é fêmea, isto só dentro da classificação do reino animal.

- Mas que na comunidade os direitos são exatamente iguais, mesmo se eles ainda não foram escritos como leis na sociedade em questão.

- São educadas para serem as guardiãs do conceito familiar.

- Perder família - principalmente os filhos - para elas é algo impensável, inadmissível.

- Hoje, adolescentes, não entendem isto.

- Convivem com a falsa idéia de que são livres, abertas, libertárias - "ficantes" - e que a vida vai ser sempre assim.

- Não passam à prova da 1ª paixão!

- Ali se entregam, ficam à mercê de namorados machistas, repressores, ciumentos, indiferentes aos seus direitos de pessoa e se tornam, na tenra idade, o que vão ser de fato na vida adulta, casadas com homens machistas e repressores.

- É uma pena!

- Macho e fêmea se acasalam e mantêm o circulo vicioso do macho e da fêmea, não na classificação do mundo animal.

- Mas na premissa que macho é macho, fêmea é fêmea!

- Aqui quem manda sou eu: o macho... e pronto!

- E as futuras mães continuam a ensinar para as filhas que homem é quem manda.

- E que não há nada que se possa fazer.

- A não ser relaxar e gozar.

- É uma pena!

- Por isto as relações ficam insuportáveis.
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TõeRoberto-04:03-post in jampa/pb