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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Meu tempo é hoje

Há 3 dias fechei o ciclo da minha vida.

Aboli do meu dia a dia todos os verbos no futuro: irei, farei, viajarei, comerei, beberei, escreverei, cantarei, amarei, apaixonarei, cozinharei, encontrarei, viverei, morrerei, foderei, assistirei, darei, lerei, sonharei...

Abracei os do presente: vou, faço, viajo, como, bebo, escrevo, canto, amo, apaixono, cozinho, encontro, vivo, morro, fodo, assisto, dou, leio, sonho...

Apaguei os do passado: fui, fiz, viajei, comi, bebi, escrevi, cantei, amei, apaixonei, cozinhei, encontrei, vivi, morri, fodi, assisti, dei, li, sonhei...

O meu tempo é hoje!

Não tenho mais tempo para o futuro.

Passado, presente e futuro se misturam nas minhas noites insones.

Eu não posso deixar para sorrir amanhã.

Tem que ser hoje!

Aqui, agora!

Meus filhos não entendem a minha urgência.

Algumas pessoas, às vezes, entendem.

E até já tomaram algumas providências.

Mas uma coisa é certa.

Meu tempo é hoje!

Aqui, agora!

Com o humor à flor da pele!

A vida na rédea curta!

E com o cu na mão.

domingo, 17 de agosto de 2008

COMO DIVIDIR O TEMPO...

POESIA: SUÃ/SUÃO - 7 ANOS DE SIM/NÃO

Como dividir o tempo do que fomos
com o que pensamos ser,
se entre nós há um lamento
situado e definido
como o concreto das casas,
o brilho fosco do vidro.

Estamos todos perdidos,
estamos todos sem vida,
estamos andando nas ruas
como seres divididos
que pisam o asfalto e a terra
e sujam os pés de um grito.

Giramos,
esvoaçamos,
assentamos
entre o pavor e o gemido
de sermos o que pensamos
e não conseguimos ser,
de sermos o que já fomos,
sem jamais nos convencer,
de que já não somos,
nem seremos,
nem gente,
nem bicho,
nem pedra,
nem nada pra se querer.

O tempo vai apertando
o pouco espaço que resta,
e tudo vai se acabando
com essa ruga na testa,
e tudo vai se perdendo
como o final de uma festa,
na qual não somos nem fomos,
mas toda a sujeira resta,
grudada nos nossos olhos
que brilham,
que choram e se aquietam,
pensando não no que fomos,
mas no que não sermos se apressa.
(Recife/Pe-22Maio1985)


(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
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