segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Clarezas

Com quantos olhos eu nasci?

Enxergo tanto que a vida me assusta.

Enxergo de frente, por trás, de lado, pra cima, pra baixo.

Enxergo por dentro, por fora, raso, profundo.

Enxergo o claro, o escuro, a névoa, a penumbra.

Enxergo o silêncio, a mordaça, a omissão, a traição.

Enxergo a alegria, a tristeza, a dor, o prazer.

Enxergo as faltas, os excessos, o horror, o poder.

Enxergo a certeza, o impossível, a mentira, o não ser.

Enxergar dói!

É como abrir os olhos diante do sol.

É como queimar a retina.

E ficar cego de tanta claridade.

Enxergo pelas frestas do ardor da luz.

Enxergo mais do que devo.

Enxergo mais do que posso.

E não posso fazer nada.

Enxergo!

E como dói!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Poesia é vida!

Outro dia me disseram que sou louco por publicar poesias.

Que poesia tá fora de moda!

Retruco: poesia tá fora de moda, sim, mas fora de moda mesmo é a total ausência de sensibilidade das pessoas para as coisas saudáveis da alma.

O que é moda?

Vídeo da Madonna?

Do Michael Jackson?

Da Britney Spears?

Propaganda da Coca-Cola?

Putaria?

Acho que não!

Isto é simplesmente o domínio do dinheiro sobre o lirismo... a sensibilidade... a poesia.

Fazer o quê?

Criar vergonha na cara e deixar de consumir estas merdas enlatadas dos gringos?

Estou louco?

Não, louco é você que acha que o mundo é assim mesmo!

Que eu tenho que comer na mão dos idiotas e dos endinheirados!

Vá se fuder!

Assista a seu vídeo do U2!

Eu vou ler um poema do Drummond... na rede!

Tomar uma cachacinha!

Pinicar uma violinha

E vou ficar bem agarradinho à minha alma alada.

Se enxerga, ô cara!

O mundo não é só dos imbecilizados!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Tempos difíceis

Tô aqui às 21 horas, em minha casa, no bairro do Manaíra - Jampa - tomando a minha cervejinha e ouvindo tiros.

Pode-se dizer que o Manaíra é um bairro 'nobre' de Jampa.

Mas não tem jeito, o problema é nacional: educação, distribuição de renda, egoísmo, safadeza, corrupção, falta de vontade, descaso, etc, etc, etc...

A coisa anda feia.

As pessoa enfiam grades nas suas residências, constroem verdadeiras fortalezas, contratam guardas, se prendem em casa, enquanto lá fora - na cidade - os novos donos das ruas fazem a sua festa.

Pagamos de tudo para o governo e temos de volta um serviço de péssima qualidade.

O cidadão comum se retrai.

O espaço das cidades diminui.

Os horários de se estar na rua são cada vez mais restritos.

Já não podemos mais ir à padaria comprar pão.

Ir ao restaurante da esquina.

Ir ao cinema.

Podemos chegar em casa sem a carteira... ou a vida.

Todo mundo reclama... eu também!

Mas o que fazer?

Se também somos responsáveis por essa merda toda.

Nós permitimos que os governos sejam inoperantes em diversas questões, principalmente na distribuição da renda nacional.

E não tente tirar o seu da reta!

Você, como eu, tá atolado até o pescoço.

E cedo ou tarde, pela sua/minha omissão, eles acertam também o nosso.

E fique sabendo: dói pra caralho!

E não tem como desfazer!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Meu tempo é hoje

Há 3 dias fechei o ciclo da minha vida.

Aboli do meu dia a dia todos os verbos no futuro: irei, farei, viajarei, comerei, beberei, escreverei, cantarei, amarei, apaixonarei, cozinharei, encontrarei, viverei, morrerei, foderei, assistirei, darei, lerei, sonharei...

Abracei os do presente: vou, faço, viajo, como, bebo, escrevo, canto, amo, apaixono, cozinho, encontro, vivo, morro, fodo, assisto, dou, leio, sonho...

Apaguei os do passado: fui, fiz, viajei, comi, bebi, escrevi, cantei, amei, apaixonei, cozinhei, encontrei, vivi, morri, fodi, assisti, dei, li, sonhei...

O meu tempo é hoje!

Não tenho mais tempo para o futuro.

Passado, presente e futuro se misturam nas minhas noites insones.

Eu não posso deixar para sorrir amanhã.

Tem que ser hoje!

Aqui, agora!

Meus filhos não entendem a minha urgência.

Algumas pessoas, às vezes, entendem.

E até já tomaram algumas providências.

Mas uma coisa é certa.

Meu tempo é hoje!

Aqui, agora!

Com o humor à flor da pele!

A vida na rédea curta!

E com o cu na mão.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Brigas de amor

Hoje, Alennise Izaura, eu fiz aquela moquequinha de camarão que você tanto gosta!

Errei completamente no sal!

Deixei passar o ponto do camarão!

Enchi de azeite de dendê!

Ficou na mesa, esfriando!

Deixa de ser criança, mulher!

Faz uma semana que você tá fechada neste quarto com 03 pacotes de Club Social!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Dúvidas existenciais

Vou botar o meu na reta.

Mas discutir é sempre uma coisa boa.

Sou agnóstico, não nego!

E motivado por conversas que ouço aqui e ali, me julgo no direito de dar a minha opinião.

Opinião, aliás, 1/2 que proibida há muito tempo.

Você que professa qualquer religião ligada ao cristianismo, me perdoe.

Mas venhamos e convenhamos: acreditar que Jesus Cristo foi um ser superior, esplendoroso, milagroso é coisa de criança.

A dúvida sobre a existência de Jesus Cristo é eterna.

Um tribunal da Itália vai decidir se ele existiu.

Embasado em quê?

Em especulações?

Acredito que, se ele existiu, foi preso por questões políticas, foi julgado, condenado, crucificado, morto e enterrado.

Opositores de sistemas são assassinados até hoje.

Mas acreditar que ele ressuscitou no 3º dia é outra coisa.

Os que inventaram isso foram politicamente espertos.

Os que acreditaram nisso continuam eternamente idiotas.

Por que esse tipo de milagre nunca mais aconteceu?

Que época privilegiada aquela!

Nem a tecnologia consegue tal milagre!

O mundo cristão sustenta numa história que não pode provar.

Jesus Cristo é uma lenda.

E faz um estrago considerável no comportamento das pessoas envolvidas com o cristianismo.

Há séculos!

Me desculpe, é só um ponto de vista!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Iniciação sexual

Me perguntaram outro dia - sacanagem e curiosidade dos meus filhos - como foi a minha iniciação sexual, quer dizer, onde enfiei o Antônio Carlos pela 1ª vez.

Isto deixando de lado o troca-troca, que é só besteira, e vai normalmente dos 7 até os 10 anos.

Tá rindo do quê?

Eu, como todos os outros meninos de 12, 13, 14, 15 anos, era um verdadeiro maníaco sexual.

Melancias, mamões, abóboras, bananeiras, galinhas, éguas e todas as espécies de coisas onde dava para aconchegar a bilola.

Os estupros eram diários.

Mas sexo quente mesmo foi com Odete, o meu primeiro amor.

Odete, uma galinha bunduda que vivia flertando comigo.

Todas as vezes que eu jogava quirela de milho no galinheiro, ela era a mais atrevida.

Vinha sempre comer no meu pé.

Conversa vai, conversa vem: crau, me apaixonei!

Odete foi a minha 1ª paixão.

Com ela me tornei um homem, um orgulhoso macho contador de vantagens.

Foi com ela que perdi o cabaço.

Perder o cabaço, naquela época, era dar a 1ª trepada, não era dar a bunda.

Vivi feliz com a Odete por quase 6 meses.

Nosso amor terminou num domingo.

Estava jogando bola, cheguei em casa e a procurei.

Não achei, perguntei à minha mãe.

Ela apontou a panela.

Menino eu era, só fiquei chateado 1 minuto.

Pela janela da cozinha avistei Lilinha, a égua do vizinho.

Foi meu segundo amor.

E no almoço comi o sobrecu de Odete.

Até hoje é o pedaço que eu mais gosto da galinha.

E que me traz recordações muito excitantes.

E você, como foi após o período do troca-troca?