sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

LA BARCA

Naquela manhã Mauro Lúcio pensou nela.

Levantou, escovou os dentes... e ficou uns 5 minutos se olhando no espelho.

Não gostou do que viu.

Foi até cozinha e preparou um café.

Seco, sem açúcar, o café desceu.

Foi até o armário e pegou a garrafa de vodka.

Pensou novamente nela e ficou com um nó na garganta.

Encheu o copo até a boca, engoliu numa talagada só.

Encheu outro.

Vapt!

Foi até a sala e colocou o CD do Luiz Miguel pra tocar.

" Dicen que la distancia es el olvido
pero yo no concibo esa razón
porque yo seguiré siendo el cautivo
de los caprichos de tu corazón..."

A música invadiu o ambiente.

Encheu outro copo.

Vapt!

Foi até o quarto, olhou no espelho... os olhos 1/2 que molhados.

Abriu a gaveta do guarda-roupa e pegou a navalha Solingen e voltou pra sala.

Outro copo.

Vapt!

A cabeça cheia... dela!

Não cabia mais um nada... só ela!

E a voz de Luiz Miguel doía no coração.

"Supiste esclarecer mis pensamientos
me diste la verdad que yo soné
ahuyentaste de mí los sofrimiento
sen la primera noche que te amé..."

A casa toda fechada... a sala a 1/2 luz.

Bebeu, no gargalo, o que restava da vodka.

Escutou o barulho: glut! glut! glut! glut! glut!

Não sentiu nada... como água!

Sentou-se e abriu a navalha.

A cabeça cheia dela... uma dor de punhalada.

Cortou, primeiro, o pulso esquerdo.

Depois, o direito.

Debruçou na mesa e sentiu o líquido quente escorrer...

Duas lágrimas... nenhum arrependimento!

E Luiz Miguel:

"Hoy mi playa se viste de amargura
porque tu barca tiene que partir
a cruzar otros mares de locura
cuida que no naufrague tu vivir
cuando la luz del sol se está apagando
y te sientas cansada de vagar
piensa que yo por tí estaré eperando
hasta que tú decidas regresar."
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TõeRoberto-post in jampa/pb

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