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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A cidadezinha da minha infância

Houve um tempo em minha conservadora cidadezinha, em Minas Gerais, que a vida era diferente.

Sexo, família, igreja?

Uma trilogia explosiva.

Sexo?

Muitas vezes só com um lençol furado na direção da perseguida ou com a luz apagada.

Se não fosse para concepção, o maior pecado.

Família?

Catecismo, comunhão, véu na igreja, vestido pra baixo do joelho, cristianismo à flor da pele... direita em formação.

Igreja?

A dança sóciocultural e religiosa da comunidade.

Um padre que casou a minha mãe, me batizou, me casou, batizou os meus filhos, manteve a cidade na idade da pedra, censurou todos os filmes do cinema da cidade... igualzinho ao padre do Cinema Paradiso.

Houve um tempo em que a minha cidadezinha respirava preconceito e racismo.

Filhos/filhas de "famílias tradicionais" não se casavam com filhos/filhas de operários e lavradores... ou negros.

Italianos, portugueses, espanhóis... não sei de onde vinha a ideia tão horrorosa.

Hoje?

Acho que os filhos estão tomando mais juízo e a cidade aparentemente floresce do seu atraso secular.

As famílias se misturam.

E prosperam socialmente e economicamente ... um pouco culturalmente.

Religiosamente e politicamente parece que ainda é cedo demais para exigir.

Que estas coisas no Brasil realmente ainda estão na idade da pedra.

E lá não é diferente.

TõeRoberto

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os meninos da Rua Santa Bárbara

A todos os meus amigos - vivos e mortos - da rua Santa Bárbara, em Guaranésia, Minas Gerais.

Às vezes, do nada, algo nos atinge no coração.

E rimos, choramos, viajamos pelo tempo e encontramos a nossa criança, a nossa infância perdida lá no fundo da memória.

Ontem, procurando uma coisa, achei outra.

Um poema.

Escrito em 07out1981, data em que passei por essa experiência de algo nos atingir o coração.

Um dia, lá atrás, em que eu me lembrei da minha infância e escrevi o poema.

Hoje, ao encontrá-lo, passei pela mesma sensação daquela data em que foi criado.

E tenho a impressão pelo meu estado - riso, choro, alegria, viagem - que encontrei novamente a minha criança perdida que estava por ai, desamparada.

Acompanhe:

No vai e vem dos navios
de casca de coco e de nozes
no galopar dos cavalos
de cabos de enxada e vassoura
no ronco mortal dos motores
dos carros de tábua e de lata
no brilho forte dos olhos
heróis de ouro e de prata
na luta calma das ruas
o bem derrotando o mal
descobri que a vida era boa
e a morte cruel e fatal.

Descobri que a gente era livre
a cada nascer da manhã
e que o sonho de quem resistia
à febre do mundo em vão
era ter um campo de vidro
com o brilho ao alcance das mãos
era ter um sonho escondido
nos rios do coração.

O forte sol que se abria
na rua, com emoção
marcava a hora da busca
do homem da perna de pau
porém, cuidado era tudo
havia perigo no ar
havia muitos bandidos
que infestavam os quintais
apaches, soldados, piratas
duendes, demônios, marcianos
e monstros de além-mar.

Descobri que o medo existia
e que Deus era o susto maior
descobri que a força era fraca
quando se tinha a razão
descobri que o amor era belo
no gesto de se dar e mão
descobri que meu pai era tolo
por trabalhar sem paixão
descobri que um sonho era pouco
pra quem tinha um coração.

Ainda trago nos olhos
vivência de barro e de chão
batalhas de vida e morte
motivos de festa e emoção
silêncios, ruídos medrosos
no fundo do coração
e o sonho de quem já teve
a vida presa na mão.

Descobri que a vida passa
no dorso de um alazão
que se acabaram os tesouros
piratas de perna de pau
que o medo é coisa boba
que homem não sente não
e que Deus está afogado
na lama de um pantanal
descobri que o amor é duro
pra quem tem um coração
descobri que o tempo é curto
pro bem derrotar o mal
descobri que a rua é a mesma
e eu não mais não.

E ai?

Lembrou-se de alguma coisa?

Pensou um pouquinho na sua criança?

Naquela criança pequenina que dorme profundamente no fundo do seu coração.

Legal, não?

Sempre gosto dessas experiências.

Elas têm um gosto maravilhoso de vida.

E não têm contraindicação.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

ARROZ-DE-DOCE

Menino, zona rural, Minas Gerais.

Uma colônia de lombrigas na barriga, uma solitária não tão solitária, barrigudo, magricelo, amarelo, 'zóiudo', a vontade maior que o estômago.

Adoro Arroz-Doce - pra mim Arroz-de-Doce - desde que nasci.

Fazer Arroz-de-Doce é uma arte!

Não se faz Arroz-de-Doce de 'pobre': arroz, água, açúcar... depois leite!

Faz-se Arroz-de-Doce com leite - muito leite - arroz, açúcar, uma pitadinha de sal, canela em pau e canela em pó para finalizar.

Nada de leite condensado nem gema de ovo!

Só leite!

Delícia pura!

Enfim, amo Arroz-de-Doce!

E tenho pressa quando está no fogo!

07 anos mais ou menos e minha mãe com o meu amor na panela... o leite nem tinha fervido.

Maaanhê, quero Arroz-de-Doce!

Tá cru!

Maaanhê, quero Arroz-de-Doce!

Tá cru, minino!

Tá não, eu quero Arroz-de-Doce!

50 vezes depois do maaanhê, eu quero Arroz-de-Doce a paciência da 'maaanhê!' se esgotou. Cê qué Arroiz-de-Doce? Pois vai cumê!

Um prato cheio na mão esquerda, uma colher na direita... o chinelo em cima da mesa.

Uma colherada, uma chinelada, uma colherada, uma chinelada...

A língua em fogo, o arroz cru estalando nos dentes, os olhos cheios de água... engoli na marra!

E nunca mais passei nem perto do fogão quando alguém está fazendo Arroz-de-Doce.

E por falar nisto a Nena acabou de fazer um delicioso.

Tá servido?
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TõeRoberto-post in jampa/pb

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Ô MINAS GERAIS!

Deu na UOL: "Homem de BH faz mais sexo que o do Rio, indica estudo"

Ô trem bão, sô!
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Tá surpreso?
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Eu num sei purque eu num tô!
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Fica só assuntano!
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Eu sabia qui nóis num cumia - cumia, não, come - só queto, mais qui nóis tamém cumia e come muito!
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E nóis acha poco, nóis qué cumê mais.
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Nóis é foda!
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Os carioca vai falá qui é pur causa do mar, qui eles fica oiano prele e esquece de muié.
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Cunversa, sô!
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Nóis tamém tem as serra e nóis num fica oiano prelas, purque nóis gosta de oiá é pra muié.
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Eles vai ficá chateado, mais fazê o quê!

Si o negócio num tá bão, toma aquela tar de piula pra subi o Antõe Carlo.

Uai sô, fica cum vergonha não!

Um dia oceis miora.

E tamém foi feita otra pesquisa sobre home e muié; sabe esse negócio de muié casada pulá cerca... saí cum otro home?

E dissero um monte de coisa: que os paulista quando pega a muié na cama cum otro sai pra cumê uma pizza, os carioca pula na cama e entra na bagunça, os baiano toma uma no buteco da esquina, os paraibano pega a sanfona e corre pro forró, os capixaba bota o disco do Roberto Carlos, os goiano faiz uma moda de viola, os gaúcho larga da muié e fica cuome, os mato-grossense compra o cd do Leonardo, os num sei quem mata o home e pede perdão pra muié, os otro senta na cama e chora, os num sei quem si mata, os otro corre pra casa da mãe e pede colo, os num sei quem fala preles terminá logo qui ele tem qui durmi pra levantá cedo.

Qui coisa, né?

E óia qui interessante: discubriro qui muié de minêro num pula cerca purque tá muito sastifeita cuome qui tem.

Fala se minêro num é foda!

Se nóis já cumia muito, agora é qui o trem vai ficá bão.

Cuessa nutícia boa desse jeito vai chovê muié na nossa horta.

Mais num se preocupe: nóis dá conta.

E vê se cuida direitim da sua muié, hem!

Qui os minêro tá sorto na buraquêra.

E é bão de cama qui só!

Deu na UOL, uai!
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TõeRoberto-post in jampa/pb