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segunda-feira, 4 de abril de 2011

O amor dói

O amor dói, foi o que descobriu Eldemário naquela manhã de junho.

Dói tanto que fazia 3 dias que Eldemário não comia, não bebia... não dormia.

Falta de ar, dor de cabeça, sudorese, estômago embrulhado, boca seca, um tremor - terremoto mesmo - no peito..., uma agonia.

A sala pequena: 3 X 4. 35 km em 3 dias: daqui pra lá, de lá pra cá, daqui pra lá, de lá pra cá, de cá pra ali, dali pra aqui, de cá pra lá...

Sensação de vazio... frio... sensação de desmaio... morte... arrepios.

O mar invadindo, a terra se abrindo, o céu caindo inteirinho na sua cabeça.

Dor! Dor! Dor!

Nem álcool descia!

Nem cigarro!

Sofrimento puro.

Visceral...

Mortal!

Tudo isso só porque Liazinha, sua Liazinha, foi visitar a mãe doente em Manaus e fazia 3 dias que não dava notícias.

Pode???

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Procura

No silêncio da noite procuro um rosto.

Um rosto qualquer!

Real ou inventado, não importa!

Um rosto amigo!

Um rosto que sorria, acredite na vida.

E me sussurre não segredos, mas verdades abertas.

Não certezas abstratas, mas realidades concretas.

Eu procuro um rosto.

Todas as noites.

Nas ruas.

Nos meus sonhos.

E ele é uma névoa.

Não se define de fato.

É só um projeto... um vulto... uma possibilidade.

E me deixa agoniado.

Pensando que a vida se vai... cansada!

Eu procuro um rosto.

A quem possa interessar que o desenhe.

Na parede dos meus olhos atentos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Obrório

Obrório sentou-se e ficou ali olhando Bidinha.

Bonita, jovem... uma marca de nascença junto ao olho direito.

Passou a mão pelos cabelos, o dedo indicador nos lábios... um movimento lento e circular.

Pegou, com cuidado, a cabeça e colocou no colo.

Passou a mão direita na testa... depois beijou.

Bidinha parecia dormir.

Debruçou-se sobre ela e a abraçou forte, mas com ternura.

Ficou ali, na penumbra do quarto, num profundo silêncio.

Não mais se mexia.

O abraço mais longo da sua vida.

O sentimento mais visceral.

01 dia, 02 dias, 03 dias... ali!

Nem água nem comida.

Necessidades ali mesmo, do jeito que estava.

Telefone tocava, campainha tocava... nada!

04 dias!

Abraçado.

No 5º dia saiu do abraço.

Deitou-se lado a lado com Bidinha.

Fechou os olhos, balbuciou silenciosamente uma das poucas orações que conhecia.

Duas lágrimas: uma em cada olho.

Pegou a mão de Bidinha e segurou forte.

A noite começou a invadir sua alma.

Mas ainda ouviu quando, num estrondo, a porta da rua veio abaixo.

Ainda ouviu quando invadiram o quarto.

Ainda ouviu quando disseram: Que horror! Que tragédia! Bidinha sabia que isto acabaria acontecendo!

Ainda sentiu quando enfiaram a agulha no seu braço e o levantaram da cama.

Suspirou... apenas um suspiro, mais nada!

E ouviu, longe, quando alguém se apiedou da sua alma.

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TõeRoberto