Naquela manhã, sem mais nem menos, Maurinha juntou a roupa e... fui!!!
Ledo Álvaro não acreditou.
Ficou ali, boquiaberto, com a xícara de café na mão... sem palavras.
Ouviu a porrada da porta se fechando, colocou a xícara de café na pia, subiu até o quarto, abriu a gaveta, pegou o 38, abriu, verificou se estava carregado - estava - fechou, voltou pra cozinha, terminou de tomar o café - frio -, abriu a porta e desceu a rua com o 38 na mão.
200 m abaixo avistou Maurinha no ponto de ônibus.
Aproximou-se...
Maurinha virou-se, ficou branca; morena que era, e resmungou:
Ledo Álvaro!
O 1º tiro foi na cara, o 2º no peito esquerdo, o 3º no peito direito, o 4º na barriga, o 5º no meio das pernas...
Maurinha no chão, guardou a arma na cintura, subiu a rua, entrou em casa, colocou o 38 em cima da mesa, tomou mais um café, ligou a tv - no Pica-Pau - sentou-se no sofá, ouviu a sirene da polícia e começou a rir com as peripécias do passarinho, como fazia todas as manhãs.
Na mesinha de centro, Maurinha, agarrada ao seu pescoço, sorria num daqueles momentos de extrema felicidade.
E Ledo Álvaro nem aí...
Pra bosta nenhuma!
TõeRoberto
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Obrório
Obrório sentou-se e ficou ali olhando Bidinha.
Bonita, jovem... uma marca de nascença junto ao olho direito.
Passou a mão pelos cabelos, o dedo indicador nos lábios... um movimento lento e circular.
Pegou, com cuidado, a cabeça e colocou no colo.
Passou a mão direita na testa... depois beijou.
Bidinha parecia dormir.
Debruçou-se sobre ela e a abraçou forte, mas com ternura.
Ficou ali, na penumbra do quarto, num profundo silêncio.
Não mais se mexia.
O abraço mais longo da sua vida.
O sentimento mais visceral.
01 dia, 02 dias, 03 dias... ali!
Nem água nem comida.
Necessidades ali mesmo, do jeito que estava.
Telefone tocava, campainha tocava... nada!
04 dias!
Abraçado.
No 5º dia saiu do abraço.
Deitou-se lado a lado com Bidinha.
Fechou os olhos, balbuciou silenciosamente uma das poucas orações que conhecia.
Duas lágrimas: uma em cada olho.
Pegou a mão de Bidinha e segurou forte.
A noite começou a invadir sua alma.
Mas ainda ouviu quando, num estrondo, a porta da rua veio abaixo.
Ainda ouviu quando invadiram o quarto.
Ainda ouviu quando disseram: Que horror! Que tragédia! Bidinha sabia que isto acabaria acontecendo!
Ainda sentiu quando enfiaram a agulha no seu braço e o levantaram da cama.
Suspirou... apenas um suspiro, mais nada!
E ouviu, longe, quando alguém se apiedou da sua alma.
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TõeRoberto
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