Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dor. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Somente isto

Quando nasci, no momento da dor, do rompimento do meu elo com a minha mãe, no momento do tapa, do choro... eu me perguntei:

Nascer é somente isto?

E lá na frente, quando sozinho me vi na escola, sem o apoio da minha mãe, do meu pai, os colegas infernizando... eu me perguntei:

Sentir-se sozinho é somente isto?

E depois, na formatura da universidade, no meio da festa, da euforia, eu me olhei no espelho, e segurando o diploma bonito... eu me perguntei:

Sentir-se realizado é somente isto?

E quando arrumei um emprego, o salário dos sonhos, poder, futuro garantido, olhando da janela para o topo da cidade sem fim... eu me perguntei:

Ser alguém na vida é somente isto?

E, um dia, diante do mar, o verde, o ir e vir, a espuma branca no fundo dos meus olhos, sentindo a alma vibrar... eu me perguntei:

A beleza é somente isto?

E quando o meu amor me deixou, eu, por meses, desesperado, pensei que fosse morrer, mas quando não morri, sentindo meu coração que sofria... eu me perguntei:

O amor é somente isto?

E quando no desemprego, na queda do topo do mundo, eu me vi no chão da cidade dura, com os meus pés no chão, olhando minhas roupas rotas... eu me perguntei:

O fracasso é somente isto?

Doente, sem meios de curar a dor, a dor lancinante que comia o meu corpo, dilacerava minha alma, quando me vi numa cama... eu me perguntei:

A dor é somente isto?

E um dia, os olhos fechando, a vida se esvaindo aos poucos, um som rouco na garganta, sentindo o coração que parava... eu me perguntei:

A morte é somente isto?

A vida é somente isto?

E eu sou somente isto?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dor

Se ao menos o peito se abrisse
o sangue jorrasse feito água
se o médico operasse
e dentro encontrasse
algo concreto maciço
como o ferro, como aço.

Se ao menos quando ela incomodasse
a gente sem receio a pegasse
guardasse no bolso
para depois quando então
a vida nos entediasse
a gente novamente a pegasse
pusesse no peito
e esperasse.

Se ao menos ela não corresse
não sumisse
não fugisses
e ela fosse doída
como na carne a facada
se ela quando chegasse
desse autógrafo
beijo, abraços
e ela pudesse ser
pela máquina fotografada
para depois, amanhã
de manchete ser chamada.

Se ela ao menos chegasse
sozinha, com hora marcada
com horário pro café
pro almoço, pra dormir
eu a chamaria amiga
dava tudo, até de mim.

Se ao menos ela saísse
de fora do mundo pra dentro
se falasse
se chorasse
se sorrisse
se gritasse
se ela ao menos existisse
não fosse tão abstrata
não trouxesse no seu jeito
a vida toda enfeitada
ela seria mais bela
que a morte
sua comparsa.

.
TõeRoberto-são paulo/sp-30agosto1974

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tristeza

Na angústia da alegria
que num peito se desfaz
um sorriso que corre
na mente de um modo fugaz.

Na névoa da tirania
em um corpo a suspirar
o eu que ali havia
está agora a definhar.

Pensa no desespero que sente
na vã razão de viver
mas não fica eternamente
a sombra que cobre um ser.

Então, sente-se escasso
naquela dor que consome
deita a mente no espaço
dá um sorriso e dorme.

.
TõeRoberto-guaranésia/mg-16março1971

sábado, 29 de novembro de 2008

RISOCLEIDE DAS DORES

ELA&EU

- Não tem nada, Risocleide, que dê jeito no meu sofrimento!

- Travessão - reticências... vírgula, ponto e vírgula; já fiz de tudo pra dar um ponto final no meu amor por você.

- Você que é das dores não vai se importar com uma dor a mais, uma dor a menos!

- Tire as minhas dores de mim, Risocleide, senão eu morro!!!.
.
TõeRoberto-03:20-post in jampa/pb

domingo, 9 de novembro de 2008

DOR?

POESIA: SUÃ/SUÃO - 7 ANOS DE SIM/NÃO

Dor?

Mas quem falou em dor?
Estou falando de ausências

de rostos que não vieram
de olhos que se fecharam
de bocas que não falaram
de mãos que não afagaram.
Estou falando de ausências

de seres que não estão
estou falando dos pulos
que dá o meu coração.
(Recife/Pe-Maio1985)

.
(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)

Post in Jampa/PB

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

A DOR

CRÔNICAS&CONTOS: SUA ALMA, SUA PALMA

- Estou com uma dor.

- Uma dor atávica.

- Uma dor dos meus antepassados.

- Uma dor de memória.

- Uma dor sem endereço.

- Estou com uma dor de remorsos, culpas milenares, assuntos pendentes de lembranças que já se foram.

- Uma dor de remoer em algo.

- Uma dor de transcender a metáfora profana da minha tristeza travestida em dor.

- Eu tenho uma dor eloqüente, se arvora a ser o único sofrimento do meu sofrer de lembranças.

- E, com ela, vou pagando os meus pecados!

- Os pecados do meu sangue!

- E não durmo - se dormir ela dói.

- Avança noite adentro, no estertor do meu sono, no sonho inevitável da minha memória, e me arranca, a seco, as lágrimas molhadas da minha consciência culpada pelos crimes dos outros.

- Do meu ser sentenciado a pagar, com dor, pelos crimes que não cometi.

- Eu só tenho uma dor.

- E ela não dói na transparência límpida do dia.

- Nem no brilho enternecido dos meus olhos abertos.

- É só uma dor!

- E o seu único remédio é doer.

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB