quarta-feira, 14 de maio de 2008

A MEMÓRIA

CRÔNICAS&CONTOS: COM A SUA LICENÇA

- Seu eu fosse um país, diria: estão destruindo a minha memória.

- Brincadeira não!

- Esta semana dei uma volta por Olinda/PE e fiquei chocado.

- Morador que fui de Olinda por quase 05 anos, calcei o meu chinelão de couro e fui atrás da minha memória: praças, barracas de praia, restaurantes, bares... pessoas.

- Tudo acabado! Procurei pela Barraca de Tia Amélia... nada!

- Procurei pelo meu Chambaril preferido, sumiu!

- O meu Queijo de Coalho, já era!

- Minhas Agulhinhas Brancas, tchau!

- A Fritada de Aratu, nem sinal!

- O Caldinho do Esquina 90, evaporou!

- Os Ovinhos de Codorna do Ceará, já eram!

- O Bar da Buchadinha, beleléu!

- Um resíduo do Bar Calamengau, graxa!... graxa!... graxa!...

- Alguns amigos: mortos, ausentes, sumidos... desconhecidos!

- O mais chocante foi a ausência do Bar mais importante de Olinda, no período que lá morei: O Xinxim Da Bahia, do meu amigo Élcio - o popular Xinxim.

- Lá saboreávamos, além da presença sempre especial de Xinxim, uma boa Feijoada, um excelente Acarajé, um maravilhoso Cupim, um Cozido honesto, uma Cervejinha gelada... e um ambiente sempre agradável.

- Tudo se foi. No lugar, uma casa e um silêncio histórico.

- Não me sobraram referências em Olinda. Sou um país de quem extirparam um pedaço.

- O mundo gira depressa demais pro meu gosto.

- As coisas nascem e morrem, nascem e morrem, nascem e morrem, nascem e...

- E nós ficamos atônitos, perdidos na ilha deserta da solidão humana.

- Preciso preservar a minha história, senão, quando eu me for, vão me procurar pelas ruas por onde andei e não vão encontrar nem um rastro da minha presença na terra.

- E eu não terei existido!

(Fonte: Texto - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

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