quinta-feira, 8 de maio de 2008

O CÉU ME PARECE FERRO...

POESIA: O INVENTÁRIO DAS ROTAS

O céu me parece ferro
uma mina de Minas ao céu aberto
e os meus olhos ardem às 22:17 da noite
na cidade de Santos
do mar de ferro
dos homens de ferro
no porto.

Um incidente qualquer poderia acontecer.

Um navio naufragar.
O céu cair.
O relógio andar.
E eu respirar.

Está tudo tão quieto na cidade de Santos.
Está tudo tão igual.
Tudo tão morto.
Tudo sem fôlego.
Está tudo eu na cidade de Santos.

Um incidente qualquer poderia acontecer.

E se eu não estivesse sozinho?
E se eu não escrevesse este poema?
E se eu não pensasse nisto?
E se eu me matasse por engano?

Se o céu não fosse tão duro
certamente eu estaria
no alto do Monte Serrat
à procura de uma estrela.

Mas o céu é tão duro
tão presente
e o porto tão quieto
tão distante
que eu penso nisto.

E por isto eu me consinto

a crer que o meu silêncio
é impossível
que o meu silêncio é parecido
com a alma que carrego
noite acima.
(Santos/SP-Sexta-feira-22:36hs)


(Fonte: Poema - Autoria de TõeRoberto)
Post in Jampa/PB

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